A BAIMS, marca alemã de maquiagem vegana e orgânica, tem atualmente cerca de 60% do seu portfólio com opção de refil. “Desde que criamos a BAIMS, em 2016, buscamos desenvolver embalagens que refletissem o mesmo compromisso com a sustentabilidade presente nas nossas fórmulas. O refil faz parte dessa visão”, afirma a CEO e fundadora Luisa Baims.

Ela diz que a opção do refil permite que a embalagem original, desenvolvida com bambu, permaneça em uso por muito mais tempo. “O consumidor pode substituir apenas o necessário, reduzindo o descarte. Essa iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla. Hoje, a maior parte dos materiais utilizados em nossas embalagens não é plástico e conseguimos reduzir em aproximadamente 75% o uso desse tipo de insumo.”

Mas criar refis para maquiagens tem desafios muito específicos, segundo a executiva. “Em categorias de cuidados corporais e capilares, o cosmético pode ser transferido para uma embalagem permanente com relativa facilidade. Na maquiagem, o produto, o mecanismo da embalagem e o aplicador frequentemente funcionam como um único e complexo sistema.”

Nem toda maquiagem pode ser transformada em refil de maneira segura e funcional

Também é preciso considerar a estabilidade da fórmula, a vedação, a higiene, a segurança microbiológica e a precisão da aplicação. “Por isso, desenvolver um refil de maquiagem exige pesquisa, investimento e muitos testes e nem todos os itens da categoria podem ser transformados em refil de maneira realmente segura e funcional”, declara Baims.

A marca brasileira de beleza limpa CARE Natural Beauty criou uma solução de refil para a linha de blushes e iluminadores Duo. “Além do desenvolvimento de uma embalagem que permita a reposição, é preciso garantir que a solução preserve atributos essenciais da categoria, como textura, pigmentação e proteção da fórmula, sem comprometer a praticidade e a experiência de uso. O Duo representa um primeiro movimento dentro da construção de um portfólio mais alinhado à lógica de reutilização e redução do uso de embalagens”, afirma Sissi Freeman, diretora de marketing e vendas do Grupo Granado.

Ela conta que o modelo de refil, produzido com plástico verde reciclado e derivado da cana-de-açúcar, gera uma redução de 80% de matéria-prima e cerca de 20% no valor do produto. “A proposta é combinar os ganhos ambientais com benefícios concretos para o consumidor, tornando a reposição uma escolha mais acessível e incentivando a continuidade desse hábito”.

Repensar a forma de consumo e vida útil dos produtos

A Kohll Beauty também começou a investir em sistemas de refis para suas maquiagens. “Desenvolver produtos de alta tecnologia continua sendo parte da nossa essência, mas acreditamos que inovar também significa repensar a forma como produzimos, consumimos e prolongamos a vida útil dos nossos produtos”, diz a CEO Helo Bertolini.

Os primeiros itens a ganharem versão em refil foram os produtos líquidos do portfólio, como a Base Blindada e o Selamento Fortfix. “Nesse momento inicial, nós optamos em trabalhar com refil para produtos líquidos, que são mais simples para o desenvolvimento. Mas já estamos pensando em soluções para nossos itens em pó.”

Ela fala que os refis saem em média 30% mais baratos que as versões tradicionais e que a meta é que, no futuro, todos os produtos da Kohll tenham essa opção. “Eu nunca consegui entender porque a indústria brasileira de maquiagem não investe em refil da mesma forma que outras categorias, como cuidados corporais e haircare. Desde quando criei a Kohll Beauty já foi com essa ideia de fazer refil dos produtos.”