“Em algumas casas de luxo, a chegada de novos estilistas está revitalizando determinados segmentos”, afirmou Guillaume des Rotours, Diretor Global de Luxo da KPMG, durante uma coletiva de imprensa.

Em um contexto de intensa renovação das direções artísticas, marcado, entre outros movimentos, pela chegada de Matthieu Blazy à Chanel e de Jonathan Anderson à Dior Homme (LVMH), a consultoria se mostra otimista quanto a uma retomada do mercado até o final de 2026.

Novo cenário geográfico

Após vários anos de forte crescimento, o setor de luxo atravessou dois anos de desaceleração, impulsionada principalmente pela queda da demanda na China e pelos significativos aumentos de preços no setor de luxo. Esse movimento acabou afastando parte dos chamados consumidores “aspiracionais”, cujo gasto anual com produtos de luxo é inferior a EUR 2.000, segundo a KPMG.

Para reconquistar essa clientela e atrair novos consumidores, sobretudo entre as gerações mais jovens, algumas marcas avaliam ampliar suas ofertas com produtos mais acessíveis. Perfumes, cosméticos e produtos de bem-estar estão entre as categorias que lideram esse movimento em direção a um luxo mais acessível.

Para a KPMG, porém, uma eventual recuperação não significará um retorno ao ciclo anterior. As empresas precisaram se adaptar a um novo cenário, especialmente do ponto de vista geográfico. “As marcas históricas não podem mais depender exclusivamente do mercado chinês e da força do modelo tradicional de luxo europeu para sustentar sua expansão”, afirma a consultoria, que baseou seu estudo em entrevistas com 200 tomadores de decisão de empresas internacionais do setor.

“Alguns grupos estão optando por investir em marcas locais por meio de participações acionárias de diferentes magnitudes”, observa a consultoria, citando, entre outros exemplos, os investimentos da LVMH na Ásia por meio do fundo L Catterton.

"Saúde é a nova riqueza"

Nesse contexto, o setor volta a se concentrar em seus fundamentos: a expertise artesanal e os métodos de produção. “O produto agora é avaliado por suas próprias qualidades — sua qualidade intrínseca, seu artesanato, sua origem — e não apenas pelo que representa.”

Por fim, a KPMG identifica o bem-estar e a longevidade como potenciais motores de crescimento no longo prazo, especialmente no segmento de turismo de bem-estar.

Além dos spas, que se tornaram um componente quase obrigatório da oferta dos hotéis de luxo, os consumidores buscam cada vez mais retiros prolongados e personalizados, tratamentos específicos para distúrbios do sono e até serviços voltados à prevenção de doenças e à longevidade. “Saúde é a nova riqueza”, resume a KPMG.