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Mercados e tendências

Cuba se rende novamente ao charme da barba - e a culpa não é do Fidel

Os cubanos e suas barbas sempre andaram de mãos dadas, unidos como bigode e cavanhaque, desde os tempos da revolução de Fidel Castro. Depois de ter caído em desuso, a barba está de volta, só que desta vez as razões não são políticas. Nas ruas de La Havana, usar barba passou a ser uma questão de estilo.

Um profissional apara a barba de um cliente numa barbearia de La Havana, (...)

Um profissional apara a barba de um cliente numa barbearia de La Havana, Cuba, em 7 de agosto de 2019. (Foto: © Yamil Lage / AFP)

A velha guarda cubana, em sua maioria, já não faz mais questão de desfilar com suas fartas barbas. Mas a ala jovem, sim. Entre os membros do governo do presidente Miguel Diaz-Canel, sempre impecavelmente barbeado, o único ministro hirsuto é o vice-presidente Ramiro Valdes, de 87 anos. Nas ruas de La Havana, usar barba passou a ser uma questão de estilo.

"Ultimamente, muitos homens, especialmente os mais jovens, estão deixando a barba crescer. É a nova tendência", explica o barbeiro David Gonzalez, 31 anos, enquanto apara a barbicha de um cliente em seu estabelecimento, no centro da capital.

Não muito longe de lá, na rua Obispo, em pleno centro histórico de La Havana, Franco Manso, 24 anos, aproveita um momento de calmaria em sua loja de artesanato para cuidar da barba. "Percebi que eu ficava bem de barba e, já que está na moda, decidi deixar", diz ele com a tesoura na mão.

A lendária barba de Fidel Castro

"Minha barba representa muita coisa para o país", declarou Fidel Castro em uma entrevista à televisão americana, pouco após a Revolução. “Só rasparei a barba quando tivermos cumprido a promessa de instaurar um bom governo", disse ele. Pouco importa se a promessa foi cumprida ou não: no final, o Comandante decidiu cultivar a barba definitivamente. O simbolismo de sua imagem era tão forte que, no início dos anos 1960, a CIA chegou a arquitetar um plano para eliminar a lendária barba do líder revolucionário. O plano consistia em colocar sulfato de tálio nos sapatos do Comandante, o que provocaria a queda de todos os pelos do corpo, transformando-o em motivo de chacota. O estratagema foi por água abaixo quando Fidel Castro cancelou a viagem durante a qual a substância química seria usada.

Ao longo dos anos, o simbolismo foi perdendo força, embora os jovens cubanos continuem a ser bombardeados por imagens de Fidel Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos, os três barbudos mais famosos da Revolução.

No entanto, segundo o jornalista e escritor Manuel Somoza, que não aderiu à nova moda, havia razões extremamente práticas para que o uso da barba ganhasse tantos adeptos nos anos imediatamente posteriores à Revolução: era praticamente impossível encontrar lâminas de barbear no país. Antes de 1959, os cubanos usavam barbeadores americanos Gillette, mas, "em 1962, quando o embargo teve início, tudo ficou muito complicado", conta Somoza, 74 anos.

"O uso da barba se popularizou não somente por causa da conotação patriótica, mas também por questões materiais. A qualidade dos barbeadores era tão ruim que fazer a barba era um pesadelo!", explicou Somoza à AFP. Os cremes de barbear e as loções pós-barba se tornaram artigos de luxo inacessíveis. Os homens eram obrigados a usar sabonetes baratos e lâminas totalmente inadaptadas, adquiridas com a libreta, caderneta de racionamento instituída no país.

Barbeadores importados

Para suprir a essa demanda, o governo cubano recorreu à Tchecoslováquia, na época sob o domínio da União Soviética, para importar lâminas cuja marca recebeu o sugestivo nome de "Venceremos". O produto era acondicionado em caixas que estampavam o slogan revolucionário "Patria o Muerte" (A Pátria ou a Morte). Algum tempo depois, foi a vez dos aparelhos de barbear soviéticos Sputnik e Neva, que os cubanos não tardaram a apelidar de "lágrimas masculinas", pois eles arrancavam os pelos do rosto com violência, em vez de cortá-los. Por outro lado, essas lâminas eram muito apreciadas pelos estudantes, que as usavam para apontar lápis. Não raro, o socorro vinha dos parentes que moravam no exterior. "Dentro das cartas, vinham coladas duas, três ou até quatro lâminas Gillette", conta Somoza. "Quando os cubanos recebiam uma carta recheada, era a maior festa!"

Em 1990, com a queda do bloco soviético, o país mergulhou em uma profunda crise econômica que dificultou ainda mais a aquisição de lâminas de barbear, pelo menos até 1993, quando a população foi autorizada a usar o dólar como moeda. Foi assim que começaram a aparecer aparelhos de barbear mais modernos nas lojas cubanas. "Para mim, a barba dos jovens de hoje em dia não tem nada a ver com a barba que nós usávamos. Os jovens atualmente estão mais conectados com a moda global", continua Somoza.

Para Alain Gil, 23 anos, funcionário do Instituto de Cinema Cubano, os fios do rosto têm muitas vantagens. "Minha namorada gosta de homens com barba, ela acha mais sexy", diz ele com um sorriso.

AFP/Relaxnews
(Tradução: Maria Marques)

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