O acordo negociado desde 1999 entre a UE e os membros fundadores do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) cria um mercado que representa 30% do PIB mundial e abrange mais de 700 milhões de consumidores. O presidente anfitrião, o paraguaio Santiago Peña, elogiou que os dois blocos tenham escolhido "o caminho do diálogo" e da "cooperação".

Ursula Von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, António Costa, presidente do Conselho Europeu, os presidentes de Argentina, Uruguai e Paraguai, e o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, acompanhados de presidentes dos países associados ao Mercosul, encerraram a cerimônia com uma ovação e uma foto de família no auditório do Banco Central do Paraguai. O prédio, que se destaca por seu estilo brutalista, também foi cenário da assinatura do tratado fundacional do Mercosul, em 1991.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi a grande ausência na cerimônia. Mauro Vieira destacou "a dimensão histórica" do acordo, que contribui para "a construção de uma multipolaridade estável e pacífica".

Eliminação de tarifas aduaneiras

O tratado UE-Mercosul elimina tarifas aduaneiras para mais de 90% do comércio bilateral e favorece as exportações de automóveis, maquinário e bebidas destiladas europeias aos pioneiros do Mercosul. Em troca, facilita a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos.

A previsão é de que as exportações da UE para o Mercosul aumentem 39%, enquanto as exportações do Mercosul para a UE aumentariam 17%.

O pacto enfrenta a resistência de agricultores e pecuaristas de alguns países europeus, que se mobilizaram em fortes protestos contra a assinatura do acordo porque temem uma enxurrada de produtos sul-americanos com normas de produção que consideram menos rigorosas. Milhares deles protestam há dias nas ruas de França, Polônia, Irlanda e Bélgica.

Para acalmar a revolta do setor, a Comissão Europeia concebeu uma série de cláusulas e concessões. Entre outras, anunciou garantias para seus setores de carne, aves, arroz, mel, ovos e etanol, que limita a quantidade de produtos latino-americanos isentos de tarifas em caso de desestabilização do mercado. Alguns destes anúncios conseguiram reverter o voto negativo da Itália, crucial para a aprovação do acordo do lado dos europeus. Mas as medidas não foram suficientes para apaziguar os produtores, que planejam uma manifestação para 20 de janeiro em Estrasburgo, na França.

Para que o acordo entre em vigor, estão pendentes sua aprovação pelo Parlamento europeu e por cada um dos Parlamentos dos países signatários do Mercosul. A votação no Parlamento Europeu poderá ocorrer na primavera de 2026, embora não se exclua a possibilidade de adiamentos promovidos por grupos da oposição. À semelhança de outros acordos comerciais desta natureza, todo o processo poderá prolongar-se por meses ou mesmo anos. Entretanto, vigorará um acordo provisório.