Novas abordagens podem transformar a prevenção e o tratamento da doença gengival! Também conhecida como periodontite, essa condição afeta milhões de pessoas em todo o mundo e pode levar à perda dentária, infecções e danos aos tecidos gengivais. Trata-se de uma doença amplamente associada a espécies bacterianas que colonizam a placa dentária, especialmente ao longo da linha da gengiva, onde desencadeiam inflamação (gengivite) que pode evoluir para periodontite crônica. Entre as mais de 700 espécies que compõem o microbioma bucal, apenas um grupo restrito está diretamente relacionado ao desenvolvimento da periodontite.
Alvo específico das bactérias causadoras da doença
Produtos convencionais de higiene bucal, como enxaguantes à base de álcool ou clorexidina, eliminam bactérias nocivas, mas também afetam microrganismos benéficos. Quando o microbioma bucal se restabelece, bactérias patogênicas — como Porphyromonas gingivalis — tendem a se recuperar mais rapidamente, pois prosperam em tecidos gengivais inflamados. Já as bactérias benéficas retornam de forma mais lenta. Como consequência, ocorre um rápido restabelecimento do desequilíbrio microbiano, favorecendo a recorrência da doença.
É nesse contexto que entra a contribuição dos cientistas alemães! Pesquisadores da unidade de Halle do Instituto Fraunhofer de Terapia Celular e Imunologia (IZI) identificaram um composto — o acetato de guanidinoetilbenzilaminoimidazopiridina — capaz de inibir seletivamente os patógenos responsáveis pela gengivite, sem afetar as demais bactérias da microbiota bucal.
Soluções de higiene oral que respeitam o microbioma
Em 2018, essas descobertas iniciais levaram à fundação da Periotrap Pharmaceuticals GmbH, uma empresa spin-off focada no desenvolvimento de produtos inovadores de higiene bucal direcionados a patógenos periodontais.
Em estreita colaboração com cientistas do Fraunhofer, a PerioTrap desenvolveu um creme dental amigo do microbioma. “O produto foi concebido para prevenir a periodontite e, assim como os cremes dentais convencionais, também contém abrasivos e flúor para a prevenção de cáries”, explica Mirko Buchholz, um dos fundadores da spin-off.
A equipe do Fraunhofer IZI realizou análises bioquímicas e estudos de biologia estrutural para apoiar o desenvolvimento do produto. “Isso nos permitiu compreender melhor como as substâncias funcionavam e determinar a composição ideal dos ingredientes ativos do creme dental”, enfatiza Stephan Schilling, chefe de Desenvolvimento de Bioquímica Molecular de Medicamentos do Instituto Fraunhofer IZI. “Em vez de simplesmente eliminar os patógenos da gengivite, o novo creme dental inibe o seu crescimento. Dessa forma, eles deixam de exercer seus efeitos tóxicos, permitindo que as bactérias benéficas ocupem nichos que, de outra maneira, lhes seriam inacessíveis. Assim, a substância atua em harmonia com a microbiota saudável, promovendo a reconstrução e a estabilização gradual do equilíbrio microbiano na cavidade bucal”, detalha Schilling.
O trabalho de desenvolvimento da PerioTrap vai além do creme dental. Em parceria com os institutos Fraunhofer, a empresa desenvolveu um gel de cuidados pós-limpeza destinado a bloquear bactérias nocivas, estabilizar o microbioma bucal e promover a saúde gengival. Além disso, encontra-se em desenvolvimento um elixir bucal de última geração.
















