"Somos um intermediário entre as equipes das marcas, o setor de marketing e as casas de fragrâncias", explica Stéphane Demaison, ao apresentar o Studio Olfactif da Coty, grupo de especialistas dedicado ao desenvolvimento de perfumes, da mesma forma que as equipes de marketing costumam definir o conceito, o nome ou o frasco.

Expertise olfativa

O Studio é quem endossa a responsabilidade pela criação e pela qualidade olfativa dos produtos, desde os ingredientes até o resultado final. Esse know-how abrange diversos aspectos (inclusive normas e testes com consumidores) e o time cultiva laços estreitos com a divisão Consumer & Market Insights (CMI), encarregada de analisar as tendências do mercado. A partir de estudos quantitativos e qualitativos (realizados por antropólogos, filósofos, economistas etc.) e usando cada vez mais recursos de inteligência artificial, o Studio prevê as evoluções da sociedade para os próximos cinco ou dez anos. "O perfume é sempre uma resposta ao contexto global", ressalta Stéphane Demaison.

Essas análises são traduzidas, portanto, em orientações olfativas. "O sucesso de Goddess, da Burberry, ilustra bem a previsão, vários anos antes, de que a baunilha iria voltar", observa o dirigente.

O Studio Olfactif atua também nos campos de pesquisa e inovação, por exemplo no desenvolvimento de ingredientes exclusivos que as casas de fragrâncias muitas vezes realizam para as marcas. Além disso, verifica a conformidade olfativa entre os testes de laboratório e o produto final. Uma etapa decisiva, pois o caminho entre o laboratório e a escala industrial não raro reserva surpresas.

Do território da marca à identidade olfativa

"O Studio Olfactif nunca desenvolve um perfume do nada, a produção é sempre destinada a uma marca", explica Stéphane Demaison. Esse trabalho é feito junto com as equipes internas, mediante as devidas licenças, e, às vezes, com os diretores artísticos, de forma a definir a identidade da marca a partir de seus valores, sua história e seu imaginário.

"Cada marca requer sua própria assinatura", continua ele. O Studio cria uma personalidade olfativa coerente e imperecível, que impregna toda a linha de produtos.

O desenvolvimento da assinatura mobiliza diversas perspectivas e por vezes exige a reconstrução de uma identidade. O Studio Olfactif herda a carteira de fragrâncias existentes e, a partir daí, extrai um universo. Em geral, esse processo é mais fácil com as linhas de produtos de luxo, que costumam ter uma assinatura mais definida e clara. Por outro lado, os lançamentos para o segmento Prestígio requerem um trabalho que mobiliza diversos aspectos.

Diante de um mercado saturado, essa expertise garante também maior diferenciação entre os lançamentos. A assinatura olfativa é construída com base na singularidade da fórmula, mas também buscando uma identidade que possa ser reconhecida e gravada na memória do consumidor, "como uma trilha sonora que caracteriza cada marca", analisa Stéphane Demaison. "Nossa função é impregnar o espírito do público com um estilo olfativo identificável", diz ele.

O ingrediente como fio condutor

O trabalho do Studio às vezes tem início com um ingrediente (ou um tipo de ingrediente) que possibilita a elaboração de uma assinatura olfativa. Um bom exemplo é a marca Jil Sander, um campo virgem que o Studio explorou para dar vida à Olfactory Series 1, lançada no ano passado. "Ao mergulhar na história, na linguagem e nos últimos desfiles da marca, identificamos linhas elegantes, verticais, radicais, que os aldeídos conseguem refletir perfeitamente", lembra Stéphane Demaison.

Uma aposta interessante, pois essas moléculas têm a capacidade inigualável de sublimar e potencializar outras matérias-primas. Sabemos que o espectro dos aldeídos é suficientemente amplo para oferecer uma paleta olfativa digna desse nome. "A assinatura deve ser facilmente identificada, mas nem por isso deve limitar a criatividade", ressalta o especialista. Durante o salão Paris Perfume Week, organizado de 9 a 11 de abril de 2026, a Coty apresentará, pela primeira vez, novos capítulos da coleção.

O mesmo princípio foi usado na elaboração de Infiniment Coty Paris, desta vez a partir de uma base: Ambreína S. Para construir a assinatura da marca, o Studio mergulhou nos arquivos da Coty. "Depois de ajustada, essa base — um ingrediente exclusivo que associa bergamota, vanilina e notas atalcadas — forma a família ambarada da marca. Ela foi incorporada aos três últimos Osmium (extratos), conferindo a eles um efeito pátina".

Traduzir uma sensação olfativa

Por vezes, a identidade da marca remete a uma sensação global. O universo da Maison Chloé — fluido, feminino, luminoso — se manifesta através de um "sopro puro", floral, almiscarado, que proporciona um efeito extremamente "pele" e envolvente, no rastro do perfume de mesmo nome, lançado em 2008 (uma rosa pura, almiscarada, inconfundível).

O grande desafio é projetar essa assinatura em outros registros olfativos dentro da mesma gama de produtos. Por exemplo, ao combinar almíscar, especiarias frescas e um buquê floral com notas ozônicas para a fragrância Cédrus, da coleção Atelier des Fleurs. Ou então, ao transpor a pureza desse sopro para algo que remete à vegetação de Garrigue, com facetas de néroli e notas verdes, crocantes e iodadas para o perfume Sous Les Pins, da mesma coleção, lançado em 1° de março deste ano.

Inversamente, no caso da Gucci, por exemplo, Stéphane Demaison explica que o trabalho é feito "com um espírito mais opulento, um pouco barroco, manipulando overdoses".

É assim que o Studio Olfactif da Coty endossa a construção da coerência e da qualidade das propostas olfativas para as marcas do grupo. Esse trabalho em torno da identidade visível da marca será tema de uma conferência durante o salão Paris Perfume Week, na sexta-feira 10 de abril, às 16h30, em Paris, França.