As válvulas industriais são componentes essenciais para a garantia do controle dos processos produtivos, incluindo o de cosméticos. “Nesse segmento, lidamos com formulações sensíveis, como cremes, loções e emulsões, que exigem um controle rigoroso de fluxo, pressão, temperatura e, principalmente, de higiene”, afirma Henrique Botura, gerente geral de vendas e marketing da Gemü do Brasil.
A multinacional alemã, que está presente em mais de 50 países e desde 1981 tem uma fábrica em São José dos Pinhais (PR), é uma das líderes mundiais na fabricação de válvulas, e vem acompanhando uma preocupação cada vez maior da indústria de cosméticos pela integridade dos processos, evitando possíveis contaminações e variações de lotes.
Válvulas usadas na produção de medicamentos e vacinas
É por isso que, mesmo menos rigoroso que o setor farmacêutico em termos de sanitários e normativos, o setor de cosméticos tem utilizado as mesmas válvulas industriais assépticas aplicadas na produção de medicamentos e vacinas, que são projetadas para eliminar zonas mortas, facilitar a limpeza e garantir esterilidade.
“É uma combinação de exigência regulatória e evolução das boas práticas. Embora o grau regulatório da indústria cosmética seja, geralmente, inferior ao farmacêutico, há uma clara convergência para padrões mais altos de higiene e rastreabilidade, motivada pela segurança do consumidor, qualidade consistente e proteção da marca. Portanto, não se trata apenas de precaução: em muitos casos, já é uma exigência do mercado”, aponta Botura.
Ele diz que o mercado global de válvulas assépticas tem crescido continuamente, impulsionado por setores como farmacêutico, biotecnologia, além de cosméticos. “Fabricantes têm registrado ganhos relevantes em eficiência e redução de riscos de contaminação com as novas gerações de válvulas. Esse movimento reflete uma mudança estrutural na indústria, não apenas um ciclo pontual.”
Aproximação entre os segmentos farmacêutico e cosmético
Essa tendência deve se acelerar ainda mais, segundo o gerente. Entre os motivos que ele aponta estão consumidores cada vez mais exigentes em termos de qualidade e transparência, uma regulação mais rigorosa, mesmo para a indústria de cosméticos, e a integração do setor com biotecnologia, especialmente na produção de dermocosméticos. “Há ainda uma tendência evidente de aproximação entre os segmentos farmacêutico e cosmético. Produtos híbridos, como os cosmecêuticos, exigem níveis de controle equivalentes aos da indústria farmacêutica.”
Botura comenta sobre três tipos de válvulas que podem ser utilizadas na produção de cosméticos. “As válvulas de diafragma são ideais para aplicações assépticas, eliminando zonas mortas. São amplamente utilizadas em processos principais, como mistura e transferência de produto, e são padrão em aplicações críticas na indústria cosmética. As válvulas borboleta são mais simples e econômicas e usadas em utilidades como água, CIP (Cleaning in Place) e linhas auxiliares, com menor exigência sanitária. Já as válvulas globo são indicadas para controle preciso de fluxo, muito utilizadas em vapor, utilidades e processos auxiliares, além de aplicáveis em sistemas de controle de temperatura e pressão.”
O Brasil é um mercado estratégico para a Gemü, segundo o gerente, e a crescente sofisticação de sua indústria de cosméticos é um dos principais fatores. “Globalmente, a indústria de cosméticos está no nosso core business. No Brasil, o setor é particularmente relevante, dada a dimensão do mercado local e o nível de industrialização, que vem acompanhada de uma maior exigência nos processos produtivos”, ele finaliza.















