Uma equipe de pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (INSERM), da França, pediu a 100 estudantes com idades entre 18 e 30 anos que reduzissem, durante cinco dias, a quantidade de cosméticos que utilizavam. Eles também deveriam substituir seus produtos de higiene, como sabonete ou pasta de dente, por outros alternativos, sem fenóis sintéticos, parabenos, ftalatos e éteres de glicol.
A exposição diminuiu para três substâncias
Posteriormente, os pesquisadores compararam os resultados das análises de urina realizadas antes e depois dos cinco dias.
Os resultados deste estudo, publicado na revista Environment International [1], são significativos, evidenciando uma redução acentuada nos vestígios de poluentes: quase um quarto a menos de exposição (-22%) ao ftalato de monoetila, derivado de compostos utilizados, entre outros, para fixar perfumes, e até "-30% ao metilparabeno, um conservante e possível desregulador endócrino, segundo as autoridades europeias".
Os cientistas também observaram uma diminuição de 39% na concentração urinária de bisfenol A, suspeito de favorecer distúrbios e doenças, como o câncer de mama e a infertilidade.
O bisfenol A é proibido em vários países, como os da União Europeia, mas sua presença pode ser explicada por "contaminações ocorridas durante o processo de fabricação ou por meio dos materiais de embalagem", indica o INSERM em um comunicado.
O setor pede cautela nas conclusões
A Federação Francesa das Empresas de Cosméticos (FEBEA), que representa os fabricantes do setor na França, destacou que as substâncias mencionadas na publicação do INSERM estão sujeitas a rigorosos controles regulatórios estabelecidos pelo Regulamento Europeu de Cosméticos.
Nesse contexto, por exemplo, a presença de traços de bisfenol A — decorrentes da migração a partir de embalagens ou de equipamentos de fabricação — só é admitida quando tecnicamente inevitável e desde que seja comprovado que não representa risco à saúde humana.
A FEBEA acrescenta ainda que, embora a publicação do INSERM se baseie em um protocolo experimental robusto, ela recorre a “diversas premissas frágeis” ao estimar tanto os impactos à saúde dos níveis residuais detectados quanto os potenciais benefícios de sua redução em escala nacional.
















