No início de 2018, o Grupo L’Óreal comprou a empresa canadense de inteligência artificial ModiFace, especialista em realidade aumentada. A primeira aquisição da multinacional francesa de uma marca fora do segmento de cosméticos tinha um objetivo claro: promover uma experiência inovadora para os consumidores, aproximar os mais jovens das marcas de seu portfólio e potencializar e-commerces.

Depois do aplicativo Style My Hair Pro, desenvolvido para simular as colorações de L’Oréal Professionel, o grupo apresenta o Lancôme Virtual Make-Up. A nova ferramenta funciona como um espelho digital para o teste de diferentes itens de maquiagem da marca, permitindo que as usuárias encontrem a base certa para a pele e provem diversas tonalidades de sombras e batons.

Aplicativo que projeta envelhecimento foi usado em estudo com...

Aplicativo que projeta envelhecimento foi usado em estudo com adolescentes

O simulador vem como mais uma opção para a nossa consumidora. Com ele é possível testar em tempo real as cores e texturas dos produtos de maquiagem Lancôme”, afirma Bernardo Martins, gerente digital da marca. “Queremos oferecer a melhor experiência de compra para nossa consumidora, seja na loja física ou online e, atualmente, a maior barreira para a compra digital de maquiagem é a consumidora não saber como o produto ficará aplicado nela”, aponta.

Lançando no Brasil no começo do mês de março, o aplicativo ganhou evidencia com o início da pandemia de coronavírus no país. “Com o distanciamento social, a procura deste serviço no nosso site cresceu muito. Temos no Brasil um número maior do que a média mundial de uso da maquiagem virtual”, diz Martins.

A chegada da Covid-19 também foi determinante para o lançamento do filtro para Instagram "Fruits & Vitamine", criado para promover a nova linha de maquiagem da L’Occitane en Provence. “A crise acelerou o lançamento. Já estávamos no final do desenvolvimento do filtro, ajustando cores para que ficassem fiéis e com acabamento ideal para a simulação, quando a pandemia se instalou no país”, revela André Abramo, coordenador de marketing e comunicação da marca. “Percebemos que o aplicativo faria ainda mais sentido diante do desafio de fechar nossos pontos de venda. Com ele pudemos garantir que a experiência de compra rompesse esta barreira física”, acrescenta.

Mesmo considerando que o recurso não substitui o atendimento pessoal nas lojas, Abramo acredita que os brasileiros são curiosos e abertos às novidades tecnológicas e que a democratização do acesso digital vem mudando o comportamento de consumo no país. “Nossa estratégia está focada na aproximação com nossos clientes, mas não temos dúvidas de que a ferramenta pode potencializar as chances de compra”, afirma.

Além dos fins comerciais – e até mesmo lúdicos –, a realidade aumentada pode também ter um efeito educativo dentro do segmento de cuidados pessoais. Para realizar um estudo sobre fotoproteção com estudantes brasileiros do ensino médio, foi utilizado um aplicativo que projeta o envelhecimento da pele por conta da ação danosa dos raios solares. O resultado acaba de ser publicado na revista médica JAMA Dermatology: houve um aumento de 15% para 23% no uso diário de filtro solar entre o grupo nos seis meses seguintes à pesquisa.

Isso não seria possível sem esse recurso”, afirma a dermatologista Kédima Nassif. “Para que uma comunicação seja efetiva, a linguagem deve tocar o interlocutor. Falando de uma geração extremamente conectada e adaptada a recursos da internet e redes sociais, o uso do aplicativo foi importante parar mostrar visualmente os resultados da exposição solar crônica em cada rosto, conscientizando os jovens da importância do tema”, completa a médica.