O PDRN (polideoxirribonucleotídeo) é uma das principais tendências para o segmento skincare em 2026, segundo previsões da WGSN. Extraído de fragmentos de DNA, especialmente do esperma de algumas espécies de salmão, o ingrediente vem ganhando destaque por sua capacidade de regeneração tecidual e tratamento de sinais do envelhecimento, com impacto em parâmetros como firmeza, elasticidade e luminosidade.

Ao contrário de muitos ativos que atuam somente na superfície da pele, o PDRN ativa vias metabólicas de reparo celular, estimulando os fibroblastos e a produção de colágeno e elastina. Isto significa que ele promove uma melhora estrutural e não apenas efeitos cosméticos temporários”, explica Valéria Wellichan, responsável técnica da Biovital, fabricante de insumos cosméticos que tem o ativo no portfólio desde 2024.

Ela conta que o PDRN surgiu como ingrediente para aplicação injetável em procedimentos estéticos. “Os bons resultados apresentados com os tratamentos levaram a indústria cosmética a se interessar pelo ativo e a desenvolver técnicas de obtenção, purificação e veículos biocompatíveis, que permitem a aplicação tópica com performance positiva.

Cosméticos com PDRN ganharam popularidade com K-beauty

A indústria da Coreia do Sul e o movimento K-beauty (beleza coreana) foram responsáveis por popularizar cosméticos com PDRN e a sul-coreana Osang Cosmetic, que chegou ao Brasil no final de 2025, trouxe no catálogo a ampola PDRN Zinc Biome Exosome-B, da linha Wati for Skin.

O PDRN ganhou destaque na Coreia do Sul porque está altamente alinhado aos elevados padrões de skincare do país. Nosso produto é uma ampola focada em regeneração, que não apenas ‘cobre’ a pele, mas a ajuda a se restaurar e recuperar seu equilíbrio de forma natural”, afirma a gerente de marketing Patricia Monteiro.

Ela fala que, apesar do Brasil ser um mercado de beleza muito maduro, ativos dermocosméticos mais novos como o PDRN ainda não são tão difundidos no país. “Enxergamos esse cenário como uma oportunidade muito relevante para a empresa. Temos a expertise necessária para trazer ao Brasil ingredientes e soluções já consolidados no ambiente dermocosmético coreano, adaptando-os de forma responsável às necessidades do mercado local.

Mas o ingrediente já pode ser encontrado em produtos de algumas marcas brasileiras. É o caso da Dermage, que lançou em 2025 o sérum Exocare PDRN. “Nosso laboratório de pesquisa e desenvolvimento já vinha trabalhando nesta formulação e os testes de eficácia foram excelentes. Assim, mesmo o PDRN não sendo ainda uma molécula amplamente divulgada no mercado brasileiro, decidimos lançá-la e sermos pioneiros na tecnologia”, diz Viviane Soares, diretora de marketing, digital e retail.

Oferta de produtos com o ativo deve crescer no Brasil

Para ela, com os excelentes resultados apresentados, teremos uma maior oferta de cosméticos com o ativo no Brasil. “A Dermage já tem em desenvolvimento produtos com PDRN em sua composição”, revela.

Desde o ano passado, a Adcos também já dispõe de um dermoscomético com o insumo, o sérum PDRN Cell Booster. “O produto é resultado de um trabalho contínuo de monitoramento das principais inovações científicas aplicadas à dermatologia cosmética. O PDRN já vinha se destacando em estudos internacionais e Adcos identificou a oportunidade de introduzir o ativo no mercado brasileiro”, afirma Ramila Neves, analista de comunicação científica do Grupo Adcos.

Ela também acredita que o PDRN vai ganhar mais evidência no país.Além do crescente interesse do mercado brasileiro por inovações globais em skincare, o PDRN apresenta boa compatibilidade com ativos amplamente utilizados no cuidado da pele, como ácido hialurônico, peptídeos e antioxidantes, permitindo combinações estratégicas para a manutenção da barreira cutânea, a revitalização da pele e prevenção dos sinais do envelhecimento. Sua versatilidade favorece a aplicação em diferentes tipos de pele, atendendo demandas cada vez mais relevantes no cenário brasileiro.

Alternativas veganas e sustentáveis ao PDRN do salmão

Diante da também crescente procura por cosméticos veganos e sustentáveis, alternativas ao PDRN do salmão já estão presentes no mercado nacional, como a Solução Exossomos + PDRN, da Simple Organic, que tem PDRN derivado do DNA do arroz.

Já na Biovital, a opção é BioPDRN. “Ele é obtido através de um processo de fermentação altamente tecnológico, utilizando como substrato o açúcar da banana. O resultado é um ativo de alta pureza, estável, com peso molecular menor do que o PDRN de salmão, o que favorece sua ação na aplicação cutânea”, diz Wellichan.