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Edição: Brasil
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Ingredientes e fórmulas

Cresce interesse do setor de cosméticos por ingredientes derivados de upcycling

Cada vez mais, os subprodutos do setor de alimentos estão gerando matérias-primas para a indústria de cosméticos, graças ao processo de upcycling [1]. Essa tendência ganhou maior vulto recentemente em razão da pandemia de coronavírus, que perturbou as cadeias de suprimentos geralmente usadas para o abastecimento em ingredientes cosméticos naturais. A agência Ecovia Intelligence prevê que um número crescente de empresas siga esse movimento à medida que a indústria de cosméticos busque desenvolver produtos mais sustentáveis e encurtar as cadeias de suprimentos, voltando-se para fontes de abastecimento regionais.

Há algum tempo que os coprodutos e subprodutos naturais da indústria de alimentos atuam como fonte habitual de ingredientes naturais. Alguns desses ingredientes, como o óleo de dendê, são amplamente usados em produtos cosméticos e de higiene pessoal. Segundo a Ecovia Intelligence, a demanda por esse tipo de matéria-prima vem aumentando em razão da crescente busca de cosméticos naturais e orgânicos por parte dos consumidores. A sustentabilidade é também um importante fator de impulso para o crescente uso de ingredientes de origem vegetal e natural nas fórmulas dos cosméticos.

Problemas nas cadeias de abastecimento

Segundo essa agência de pesquisas de mercado, o interesse por ingredientes derivados de upcycling cresceu consideravelmente em 2020. Uma das razões é que a pandemia de covid-19 perturbou o abastecimento em ingredientes naturais. De fato, a coleta e o processamento de matérias vegetais foram afetados pelas medidas de emergência decretadas pelo governo de diversos países. Outra dificuldade que os serviços de compras de ingredientes dos fabricantes de cosméticos tiveram que enfrentar foi o aumento do custo de transporte e dos prazos de entrega, em virtude da quarentena que muitos portos foram obrigados a cumprir. Assim sendo, a pandemia levou muitos operadores a contemplar o uso de fontes de abastecimento regionais ou locais para a obtenção de ingredientes naturais, com destaque para subprodutos da indústria alimentícia, que ganharam cada vez mais espaço como fonte sustentável para esse tipo de matéria-prima.

Lançamentos recentes

Nos últimos 12 meses, o mercado registrou vários lançamentos interessantes de ingredientes elaborados pelo processo de upcycling. A título de exemplo, a empresa francesa Laboratoires Expanscience desenvolveu um princípio ativo destinado a cuidados para o contorno dos olhos à base de abacates descartados. Para tanto, criou uma cadeia de abastecimento sustentável no Peru. Outra empresa que ingressou nessa área é a Givaudan, que lançou o Koffee’Up: comercializado como alternativa ao óleo de argan, esse ingrediente reciclado, obtido a partir de borra de café usada, foi desenvolvido em parceria com a startup dinamarquesa Kaffe Bueno.

Vale mencionar também a Rahn AG, que apostou no aproveitamento de sementes de abóbora para fabricar o princípio ativo Reforcyl-Aion. Obtido a partir de abóboras provenientes de Styria, na Áustria, esse ingrediente para cuidados da pele é comercializado segundo o modelo de economia circular. Por último, a Cargill Beauty decidiu extrair a pectina de resíduos de raspas de limão, a fim de produzir um novo texturizante e estabilizante de emulsões para cuidados da pele.

A busca de sustentabilidade

A partir desta nova geração de ingredientes naturais, as marcas de cosméticos estão criando linhas específicas de produtos. A empresa taiwanesa Hair O ’Right foi uma das pioneiras, com o lançamento, em 2006, de produtos capilares naturais à base de borra de café. Atualmente, a empresa vem desenvolvendo produtos com outros ingredientes obtidos por upcycling, como raízes de goji e resíduos de destilarias. O uso desse tipo de ingrediente está em perfeita sintonia com a filosofia das marcas sustentáveis. A linha de produtos Hair O’ Right respeita os princípios de carbono neutro, e a empresa se destaca como uma das maiores utilizadoras de embalagens recicladas. No ano passado, os esforços da empresa foram coroados com a conquista do prêmio Sustainability Leadership na edição 2019 do Sustainable Beauty Awards.

Paralelamente, novas marcas estão surgindo e levantando a bandeira do uso de ingredientes resultantes de upcycling. Um bom exemplo é a marca Dr. Craft: lançada no Reino Unido, ela utiliza polpa de cassis descartada para elaborar tinturas capilares sustentáveis. A Upcircle Beauty, outra marca britânica, recicla resíduos para a fabricação de sua linha de cuidados da pele. Em Nova York, a LOLI Beauty também vem valorizando ingredientes obtidos por upcycling. Seu principal produto, Plum Elixir, é fabricado a partir de óleo de caroço de ameixa proveniente de cultura orgânica.

Segundo a Ecovia Intelligence, as empresas do setor de cosméticos buscam atualmente efetuar a transição para a economia circular. Grandes companhias, como Unilever e P&G, implementaram programas de resíduo zero e optaram por materiais de embalagem sustentáveis. Como a eliminação de resíduos é um dos aspectos da economia circular, o upcycling oferece belas oportunidades para essas empresas. Segundo a agência de pesquisas de mercado, o número de ingredientes resultantes de upcycling deverá crescer à medida que essas empresas reformulam seus produtos.

O uso de materiais verdes em cosméticos, em particular o uso de ingredientes derivados de upcycling, será tema das próximas edições (virtuais) do Sustainable Cosmetics Summit:

- Edição América do Norte: 28-30 de setembro de 2020

- Edição Europa: 2-5 de novembro de 2020

Brazil Beauty News (Tradução: Maria Marques)

Observações

[1O termo inglês upcycling é muito usado no Brasil para designar o reaproveitamento de materiais descartados, dando a eles um uso geralmente mais nobre que o original.

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