Realizada em São Paulo, entre 04 e 08 de setembro, a 21ª edição da Beauty Fair estreou um setor dedicado a embalagens. A novidade, no entanto, deveria ser uma feira à parte, como Cesar Tsukuda, CEO da Beauty Fair CO., informou ao Brazil Beauty News em março desse ano .

Continuo acreditando que deve ser um evento separado. Mas temos que tomar alguns cuidados e respeitar ao máximo o investimento das marcas participantes. Então, para reduzir riscos, entendemos que, fazendo dentro da Beauty Fair, a circulação do público de interesse desses expositores seria mais garantida, porque esse é um ‘ano duro’”. Além de mudanças na questão tributária para o setor de cosméticos, a recente crise no petróleo, impulsionada pela guerra entre EUA e Irã, trouxe ainda mais receio à criação da Beauty Fair Pack, de acordo com o executivo.

Cerca de 35 expositores de embalagens participaram da Beauty Fair 2026. “É mais do que prevíamos. Porém, abrimos para participantes internacionais, o que, originalmente, não pretendíamos fazer. Mas vimos que tem muitas empresas de fora com soluções interessantes e que não seria o melhor modelo restringir o projeto a empresas brasileiras, ainda que elas tenham muita competência para isso”, explica o CEO.

Abertura para fabricantes internacionais de embalagens

A chinesa Summitek foi uma das fornecedoras internacionais presentes. “Enxergamos a feira como uma vitrine para apresentar os tipos de produtos que desenvolvemos. O objetivo é criar uma conexão com o mercado local e fazer contato com potenciais clientes”, diz o representante de produtos e vendas Alejandro Hernández.

Entre as brasileiras, a Trendpack, que oferece soluções para perfumaria, tinha expectativa de conhecer novos players do mercado, segundo o CEO Enzo Carini. “A Beauty Fair é realmente uma feira muito grande e percebemos um público diferente.

Para Fábio Silva, diretor da Ycar, especialista em papelcartão, o novo setor mostra o protagonismo da embalagem no segmento de cosméticos. “Apresentamos uma sacola em forma de caixinha. Sair do convencional é uma forma de agregar valor e mostrar que o contato da marca com o consumidor pode ser diferente.

Vitor Fontes, representante comercial da Seritec, que trabalha com caixas, rótulos e sinalização, reforça. “Todas as marcas e as indústrias do segmento de beleza estão aqui. Acredito que vai gerar muita competitividade e potencializar os negócios. O setor está recebendo com bons olhos.

Tudo está interligado na cadeia. Agradecemos a direção da feira por ter aberto essa área de negócios e esperamos continuar nessa parceria em outros estados”, diz Fabiano Elias, proprietário e CEO da Mardan Etiquetas Autoadesivas.

Setor B2B de perfumes cresceu 30% em seu segundo ano

A Beauty Fair apresentou pelo segundo ano consecutivo o setor de perfumes exclusivo para o B2B. “A experiência em 2025 foi ótima. Praticamente 100% dos expositores do ano passado renovaram e ainda entraram novos. O setor cresceu cerca de 30% em área, muito em função do sucesso de uma categoria que era meio adormecida no Brasil, o body splash, e também desse movimento do perfume árabe”, aponta Tsukuda.

A Mawwal Concepts foi uma das empresas árabes no pavilhão. “Somos uma empresa com menos de dois anos. Para quem, como nós, precisa se mostrar para mundo, a Beauty Fair é uma grande exposição. No ano passado, já estivemos aqui e pretendemos sempre estar na feira”, afirma o CMO Paulo Isper.

A Phyto Parfums foi lançada no setor de perfumes em 2025 e voltou nesse ano. “A ideia era a marca ser um quiosque, uma loja própria. Com a visita dos clientes na feira acabou virando um projeto store in store, que agora estamos expandindo”, diz a gerente de marketing Ana Vitorino.

A Etleé, marca americana inspirada na perfumaria coreana, acaba de chegar ao Brasil. “Nesse pavilhão, a feira consegue conectar as pessoas que estão interessadas em impulsionar os negócios. Como marca nova, precisávamos estar aqui, prospectando clientes e nos posicionando nesse lugar mais profissional”, fala a analista de marketing Isabella Garcia.

A importadora BR Brand participou pela segunda vez do setor. “Ele atraiu um perfil de cliente que não visitava o pavilhão de negócios, que é mais voltado para cosméticos. Aqui eu recebo um público mais segmentado. Mas um não é mais importante que o outro, os pavilhões se complementam”, diz a diretora Ivana Menezes.

Edição 2026 deve movimentar R$ 1.3 bilhão, com 15% do valor vindo de perfumes

Segundo Tsukuda, a expectativa é que a edição movimente R$ 1.3 bilhão, mantendo a mesma faixa de 2025. Desse valor, 15% deve vir de perfumes. “De embalagem ainda é mcedo dizer, porque é um projeto novo e diferente. Os contatos feitos na feira provavelmente vão gerar frutos ao longo do ano. Mas, não tenho dúvida que, independente de valor, o importante é enxergarmos o mercado de forma mais ampla e contribuir para a evolução dele em cada um dos elos da cadeia.

Shirley Costa, fundadora e CEO da marca de maquiagem Nina Makeup, considera positivo esse movimento da feira. “Como indústria, acho interessante, porque traz muito mais possibilidades. Ao integra todo o ecossistema da indústria de cosméticos, a Beauty Fair mostra ainda mais força como um dos principais eventos de negócio de beleza do mundo.