Delegados de cerca de 20 países vão participar, a partir deste domingo, de três dias de conversas “informais” no Japão com o objetivo de salvar os esforços para a criação de um tratado global histórico contra a poluição por plástico.

As negociações que deveriam ter sido a etapa final, realizadas na Coreia do Sul em 2024, terminaram sem acordo. Depois disso, uma nova rodada de discussões em Genebra, em agosto passado, também fracassou ao não conseguir avançar nem garantir a prorrogação formal das tratativas. O encontro no Japão busca reconstruir consensos e manter vivo o processo diplomático para enfrentar um dos principais desafios ambientais da atualidade.

Uma autoridade do Ministério do Meio Ambiente do Japão disse que a reunião "informal" a portas fechadas entre "funcionários de nível técnico" até terça-feira não deve resultar em nenhum anúncio oficial.

"O Japão está em posição de pressionar por avanços na questão e, portanto, está sediando a reunião", disse a autoridade à AFP, sem querer ser identificada.

Problema planetário

Ela acrescentou que "pouco progresso" foi feito desde agosto, além da eleição, no início de fevereiro, do negociador-chefe do clima do Chile, Julio Cordano, como presidente.

"A poluição por plástico é um problema planetário que afeta a todos: todos os países, todas as comunidades e todos os indivíduos", alertou Cordano após ser eleito. "Se não tomarmos medidas conjuntas, a situação piorará muito nas próximas décadas. Um tratado é urgentemente necessário", afirmou.

Mais de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas globalmente a cada ano, sendo metade delas destinada a itens de uso único.

Um grande bloco de países defende ações ousadas, como a redução da produção de plástico, enquanto um grupo menor de países produtores de petróleo prefere focar mais especificamente na gestão de resíduos.

Entre os países que devem estar presentes em Tóquio estão grandes produtores de petróleo como Arábia Saudita, Rússia e Estados Unidos, além dos estados insulares de Antígua e Barbuda e Palau, e China, Índia e União Europeia.

O chefe do meio ambiente da ONU disse à AFP em entrevista em outubro que um tratado global continua sendo "totalmente viável". "Ninguém desistiu e disse: ’isto é simplesmente desesperador demais, vamos desistir’", disse Inger Andersen, diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).