As vendas da LVMH, maior grupo de luxo do mundo, caíram 6% no primeiro trimestre, pressionadas pelos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os negócios na região.

A empresa, mais conhecida pelas bolsas Louis Vuitton, pela moda e fragrâncias Dior, pelo champanhe Moët & Chandon e pelas joias Tiffany, registrou vendas de 19,1 bilhões de euros (US$ 22,4 bilhões) de janeiro a março. Em termos orgânicos — excluindo flutuações cambiais e mudanças nos negócios — as vendas cresceram 1%.

“A LVMH manteve seu forte ritmo de inovação e demonstrou boa resiliência em um ambiente geopolítico e econômico que permaneceu instável, agravado pelo conflito no Oriente Médio”, afirmou a empresa em comunicado.

A empresa disse que a guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã “teve um impacto negativo de cerca de 1% no crescimento orgânico da região”, mas expressou esperança de que as vendas perdidas sejam recuperadas quando os consumidores retornarem às lojas.

A diretora financeira da LVMH, Cecile Cabanis, disse a analistas que ainda não está claro qual será o impacto final da guerra. "O que sabemos é que a riqueza não evaporou", afirmou.

"Provavelmente haverá um momento em que a veremos retornar a outros lugares e atenuar o impacto do conflito, caso ele continue", acrescentou.

Melhorias na China

A região do Oriente Médio representa cerca de 6% das vendas da LVMH. De acordo com um estudo recente de analistas da empresa de pesquisa de ações Bernstein, o Oriente Médio foi a principal região para grupos de luxo no ano passado, com crescimento orgânico de 6% a 8%, enquanto outras regiões permaneceram mais ou menos estáveis.

A LVMH, que assim como outros grupos de luxo sofreu nos últimos anos com a desaceleração do crescimento na China, apresentou tendências positivas tanto naquele país quanto nos Estados Unidos.

"O segmento chinês apresentou uma melhora considerável, com uma clientela local chinesa que registrou um crescimento sólido no primeiro trimestre", afirmou Cabanis.

O segmento de moda e artigos de couro, o maior da LVMH, teve uma queda de 9% nas vendas no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Foi também o único segmento de produtos a apresentar contração orgânica.

As vendas de Perfumes e Cosméticos permaneceram estáveis em termos orgânicos no primeiro trimestre de 2026, enquanto o crescimento orgânico da receita atingiu 4% no Varejo Seletivo, com a Sephora continuando a apresentar um sólido crescimento de receita em todas as suas regiões.