A Procter & Gamble (P&G) divulgou, na sexta-feira, 24 de abril, resultados acima das expectativas para o terceiro trimestre do seu ano fiscal. O desempenho foi sustentado por um crescimento generalizado das vendas, enquanto o ganho com a alienação de um ativo ajudou a mitigar as pressões de custos — impulsionadas pela alta dos preços do petróleo, associada às tensões com o Irã — e o impacto persistente das tarifas comerciais introduzidas durante a administração de Donald Trump.

“Estamos aumentando os investimentos para acelerar o crescimento junto aos consumidores, apesar do desafiador ambiente geopolítico e econômico, mantendo nossas projeções para o ano fiscal”, disse o presidente e CEO da P&G, Shailesh Jejurikar.

A alta dos preços do petróleo bruto resultará em um impacto negativo de US$ 150 milhões no atual ano fiscal, informou a P&G em seu comunicado de resultados.

O grupo confirmou sua previsão anual, mas afirmou que espera que o lucro por ação “fique na extremidade inferior da faixa de projeção”.

O lucro do trimestre encerrado em 31 de março foi de US$ 3,9 bilhões, um aumento de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita cresceu 7%, atingindo US$ 21,2 bilhões. Todas as cinco divisões de produtos registraram crescimento nas vendas, com destaque para a divisão de beleza, que apresentou um aumento de 11%.

O lucro líquido avançou sobretudo graças a um ganho de US$ 261 milhões, após impostos, decorrente da venda, em janeiro, da sua participação de US$ 476 milhões na Glad, uma joint venture com a Clorox, que foi posteriormente dissolvida.

O diretor financeiro, Andre Schulten, afirmou que os resultados demonstraram a solidez das operações de continuidade de negócios da P&G, "apesar de algumas declarações de força maior por parte de nossos fornecedores diretos ou de seus fornecedores a montante".

Interrupções no fornecimento

As interrupções no fornecimento devido à guerra com o Irã, incluindo o fechamento quase total do Estreito de Ormuz, obrigaram a P&G a buscar fontes alternativas de matéria-prima, o que frequentemente resulta em custos de frete mais altos e, às vezes, em reformulações de produtos.

A P&G também está preocupada com o impacto da inflação — em alimentos, energia, saúde e outros — sobre os gastos do consumidor, principalmente porque as pessoas estão cada vez mais priorizando o custo-benefício.

Andre Schulten afirmou que, por ora, a empresa opta por não projetar lucros para o ano fiscal de 2027, que tem início em 1º de julho.