A Givaudan, líder suíça em fragrâncias e aromas, reportou na quinta-feira, 23 de julho, um lucro líquido abaixo das expectativas do mercado. O resultado foi impactado pela valorização do franco suíço e por despesas extraordinárias, o que causou a queda no preço de suas ações.
No período de janeiro a junho, o grupo com sede em Genebra registrou 103 milhões de francos suíços (110 milhões de euros o 126 milhões de dólares) em custos não recorrentes, incluindo despesas com reestruturação e provisões para litígios, o que impactou seu lucro líquido, que caiu 19,8%, para 475 milhões de francos suíços.
Sua receita contraiu 1,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior, para quase 3,8 bilhões de francos suíços, apesar de um aumento de 3,6% nas vendas, excluindo efeitos cambiais e aquisições, devido à "contínua valorização do franco suíço", enfatizou a Givaudan no comunicado à imprensa detalhando seus resultados.
Embora a receita do grupo tenha ficado em linha com as expectativas, o lucro líquido ficou significativamente abaixo das previsões dos analistas. Segundo a agência suíça AWP, o consenso do mercado apontava para um resultado de 541 milhões de francos suíços.
Em termos comparáveis, excluindo os efeitos cambiais e as aquisições, a divisão de Fragrâncias e Beleza registrou crescimento de 6,5%, impulsionada pela continuidade do forte desempenho em fragrâncias finas, após vários anos de expansão de dois dígitos. Já a divisão de Aromas e Ingredientes Alimentícios avançou 0,5%.
As ações da Givaudan estão entre as mais valorizadas da bolsa suíça, refletindo o histórico de crescimento consistente da empresa, mesmo em cenários de desaceleração econômica. Por isso, há pouca tolerância do mercado para resultados decepcionantes.
O grupo fabrica fragrâncias para produtos de lavanderia e higiene, bem como para perfumaria fina, além de aromas e ingredientes para a indústria alimentícia. A empresa também desenvolveu um forte negócio de desenvolvimento e produção de ingredientes cosméticos (Givaudan Active Beauty), principalmente por meio das aquisições da Soliance em 2014, da Induchem em 2015 e da Naturex em 2018.
Em contraste com a reação do mercado, Arben Hasanaj, analista da Vontobel, avaliou que a Givaudan apresentou um primeiro semestre "sólido em um ambiente volátil", graças à resiliência do negócio de fragrâncias. Já a divisão de aromas, segundo ele, "está se recuperando lentamente".
"Apesar dos persistentes desafios geopolíticos e macroeconômicos, nossos negócios continuaram a demonstrar forte ritmo de crescimento e rentabilidade líder do setor", destacou Christian Stammkoetter, CEO da Givaudan.
















