O grupo americano de cosméticos e fragrâncias Coty (Marc Jacobs, fragrâncias Burberry, Calvin Klein, entre outras) registrou um aumento de 64% no lucro entre julho e setembro, impulsionado pela demanda em seus principais mercados e pela venda de uma de suas licenças.

Em meio a um processo de transformação, o grupo obteve lucro de USD 106 milhões no primeiro trimestre do ano fiscal de 2026/2027, ante USD 65 milhões no mesmo período do ano anterior, segundo comunicado divulgado na quarta-feira, 4 de novembro.

As vendas, no entanto, mantiveram a trajetória de queda. Entre julho e setembro, a Coty registrou receita de USD 1,55 bilhão, recuo de 1% em relação ao ano anterior e de 2% em bases comparáveis. Ainda assim, o resultado ficou ligeiramente acima das expectativas dos analistas consultados pela Bloomberg. Mais importante, representou uma melhora em relação aos dois trimestres anteriores, graças ao desempenho de suas principais regiões: Estados Unidos, América Latina e Ásia-Pacífico, afirmou Markus Strobel, presidente executivo e CEO interino do grupo.

No último ano fiscal, a Coty registrou prejuízo de USD 618 milhões, enquanto as vendas recuaram 2%, para USD 5,8 bilhões. Em 2025, a empresa iniciou uma revisão estratégica, cuja conclusão está prevista para o final de 2026. O processo inclui medidas de redução de custos e de endividamento.

"Embora nosso progresso no primeiro trimestre seja encorajador, ainda precisamos trabalhar para transformar esses primeiros sinais de recuperação em uma retomada ampla e sustentável", destacou Markus Strobel. "Como já indicamos, o ano fiscal de 2027 será um ano de transição. Prevemos uma recuperação desigual, e a implementação das medidas levará tempo", acrescentou.

A Coty também anunciou a extensão, por mais 40 anos, de sua parceria de licenciamento com Marc Jacobs, iniciada em 2003.

O grupo americano, que também detém a licença de beleza da Gucci desde 2016, anunciou em julho que anteciparia em um ano a transferência dessa licença para o grupo de luxo francês, por aproximadamente USD 400 milhões. Os primeiros pagamentos decorrentes da operação permitiram à Coty reduzir sua dívida em USD 300 milhões desde junho, segundo o comunicado.

O mercado de beleza continua aquecido, de acordo com a empresa. "A demanda dos consumidores por produtos de beleza permanece robusta, com um crescimento mais moderado, mas ainda forte, nos segmentos de fragrâncias e cosméticos", afirmou.

Nesse contexto, para o segundo trimestre do ano fiscal de 2027, a Coty prevê crescimento das vendas, em bases comparáveis, de suas seis principais marcas da divisão Prestige. A receita total do grupo, porém, deverá recuar "alguns pontos percentuais", em linha com o desempenho dos dois trimestres anteriores.