A LVMH, maior grupo de luxo do mundo, anunciou na segunda-feira, 27 de julho, uma aceleração do crescimento das vendas no segundo trimestre, superando as expectativas dos analistas, enquanto manteve o lucro líquido estável no primeiro semestre do ano.

O desempenho do grupo, proprietário de marcas como Louis Vuitton, Dior, Celine e Hennessy, pode indicar que o setor de luxo, pressionado nos últimos trimestres pela desaceleração da demanda, começa a dar sinais de recuperação.

A LVMH registrou lucro líquido de 5,7 bilhões de euros (US$ 6,5 bilhões) no primeiro semestre, apesar de um "ambiente geopolítico e econômico que permaneceu instável, agravado pelo conflito no Oriente Médio", segundo a empresa.

A receita do grupo caiu 3% no período, para 38,6 bilhões de euros. Tanto o faturamento quanto o lucro líquido superaram o consenso das estimativas dos analistas compilado pela FactSet.

Após uma queda de 6% nas vendas no primeiro trimestre, a LVMH voltou a crescer entre abril e junho. No segundo trimestre, a receita avançou 0,1%, para 19,5 bilhões de euros, sinalizando uma estabilização do desempenho do grupo.

"A aceleração do crescimento no segundo trimestre foi impulsionada, em particular, pelo sucesso das primeiras criações de Jonathan Anderson para a Christian Dior, pelo desempenho excepcional das novas lojas emblemáticas da Louis Vuitton em Pequim e Seul e pela força das linhas icônicas da Tiffany & Co. e da Bulgari", afirmou o CEO Bernard Arnault em comunicado.

Após o boom pós-pandemia, o setor de luxo enfrentou um período difícil com a desaceleração do mercado chinês e as perturbações no comércio global causadas por guerras tarifárias e, agora, pelo conflito no Oriente Médio.

Embora os números reportados pela LVMH indiquem apenas um crescimento modesto das vendas, o desempenho foi impactado negativamente em cerca de 5% pelas variações cambiais. Desconsiderando esse efeito e as mudanças no perímetro de consolidação, a receita avançou 2% no primeiro semestre e 3% no segundo trimestre.

A principal divisão do grupo, Fashion & Leather Goods, registrou queda de 5% nas vendas em termos reportados e de 1% em bases comparáveis. Ainda assim, o desempenho mostrou sinais de recuperação entre abril e junho: as vendas cresceram 1% em bases comparáveis no segundo trimestre, interrompendo uma sequência de dois anos sem expansão trimestral.

Na divisão de Perfumes e Cosméticos, as vendas permaneceram estáveis em bases comparáveis — considerando taxas de câmbio e perímetro de consolidação constantes —, enquanto os números reportados apontaram retração de 4%. Em bases comparáveis, a divisão registrou crescimento na maioria dos mercados, com destaque para a Ásia (excluindo o Japão), onde as vendas avançaram 6%, e para os Estados Unidos, com alta de 4%. Na Europa, o desempenho permaneceu estável.