Há 25 anos, a Natura vem construindo uma cadeia sustentável de suprimentos na região amazônica. Lá foram produzidas mais de 13% de todas as matérias-primas utilizadas na fabricação de seus cosméticos em 2025, como óleos e manteigas de castanha-do-pará e murumuru e ingredientes raros de sua perfumaria, como a priprioca e o ishpink.
Parte deste portfólio está agora disponível a outras indústrias por meio da Natura Ingredientes. “Criamos essa startup para fomentar a comercialização de bioingredientes da Amazônia, escalando e fortalecendo um modelo de fornecimento de insumos com rastreabilidade integral”, afirma José Manuel, vice-presidente de novos negócios da Natura.
O executivo assegura que a ambição é mais do que vender insumos. “Queremos provar que a bioeconomia de floresta em pé é mais rentável e mais segura do que o modelo extrativista tradicional. Esperamos que o sucesso da Natura Ingredientes inspire outras indústrias a adotarem modelos regenerativos, aumentando a área de floresta conservada, que hoje já é de 2.2 milhões de hectares, e o número de famílias beneficiadas, que já passam de 11 mil na Pan-Amazônia.”
Autonomia para o mercado B2B e soluções sob medida para novos clientes
Inaugurada sob o modelo de Corporate Venture Building (estratégia de desenvolvimento de um novo negócio independente ou complementar ao core business de uma empresa), a Natura Ingredientes combina o melhor dos dois mundos, segundo Manuel: o conhecimento técnico e a reputação da Natura com o foco e a agilidade de uma startup. “Isso garante autonomia para o mercado B2B, permitindo criar soluções sob medida para novos clientes”.
Segundo o VP, a Natura Ingredientes vai conectar o que já é produzido e potenciais novos bioativos a uma demanda global das indústrias de cosméticos, de alimentos e bebidas e farmacêutica, sem causar prejuízos ao suprimento interno da Natura. “A expectativa é trazer impacto positivo à geração de renda, ligando de forma direta os excedentes produtivos a novos mercados. Em estudo interno, identificamos a oportunidade de que as comunidades produtoras aumentem sua oferta em até 40%.”
O setor de cosméticos deve responder pelo maior número de compradores, pelo menos inicialmente, o que é natural para Manuel, levando em conta a tradição da Natura e os ciclos de inovação e lançamento mais ágeis da indústria de beleza. Ele diz não temer a concorrência no Brasil. “Não temos receio de compartilhar esses insumos com o mercado porque acreditamos na força do nosso portfólio e o diferencial competitivo da Natura vai muito além do acesso aos bioingredientes.”
É esperado que a iniciativa atraia também fabricantes de cosméticos de outros países. “A demanda internacional por bioingredientes amazônicos é uma realidade crescente e estava reprimida justamente pela complexidade de se construir uma cadeia sustentável na região.”
Marca britânica de cosméticos Lush já está entre os clientes da Natura Ingredientes
O executivo fala que as marcas globais enfrentam uma grande pressão por metas de descarbonização, rastreabilidade e regulações rigorosas e o que a Natura Ingredientes propõe é entregar a eficiência funcional de ativos únicos da Amazônia com a garantia socioambiental que o mercado exige. “O fato de já estarmos atendermos a marcas internacionais como a Lush demonstra que podemos transformar essa demanda em uma infraestrutura de negócios com escala”.
Mas ele ressalta que o potencial dos bioingredientes amazônicos vai muito além da beleza. “A indústria de alimentos e bebidas, por exemplo, revela um apetite imediato focado em superalimentos, aromáticos naturais e ingredientes de origem sustentável. Já o setor farmacêutico e nutracêutico, representa uma oportunidade de altíssimo valor agregado que, por exigir processos de pesquisa e regulações mais rigorosas, deve amadurecer de forma gradual.”



















