A gigante americana de bens de consumo Procter & Gamble (P&G) anunciou na quarta-feira, 29 de julho, que prevê um crescimento mais moderado no exercício fiscal de 2026/2027, em um contexto de persistentes pressões inflacionárias nos Estados Unidos. Apesar desse cenário, o grupo prevê uma melhora do lucro por ação.
Após divulgar resultados melhores para o ano fiscal de 2025/2026, que ficaram ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, a gigante de bens de consumo (responsável por marcas como Head & Shoulders, Oral-B, Gillette, Ariel, Pampers, etc.) prevê um crescimento da receita entre 1% e 3% para 2026/2027.
Essa projeção inclui “um efeito adverso” relacionado à “descontinuação de determinadas marcas, formatos de produtos e canais de distribuição”, explicou a P&G em comunicado, sem fornecer mais detalhes. O cenário representa, sobretudo, uma desaceleração em relação ao exercício fiscal de 2025/2026, encerrado no fim de junho, quando a receita do grupo avançou 3,3%, para US$ 87 bilhões, resultado praticamente em linha com o consenso de analistas consultados pela Bloomberg.
No quarto trimestre de 2025/2026, as vendas foram impulsionadas principalmente pelo segmento de beleza (+4%), com destaque para os cuidados capilares, enquanto a categoria de produtos para bebês apresentou desempenho mais fraco (-2%). O lucro líquido recuou ligeiramente, 0,49%, para US$ 16,1 bilhões, ficando um pouco abaixo das expectativas do mercado. Já o lucro por ação ajustado — indicador mais acompanhado pelos investidores — alcançou US$ 6,62, alta de 2%, abaixo do consenso da Bloomberg, que projetava US$ 6,87. Para o próximo ano fiscal, a P&G projeta um lucro entre US$ 6,89 e US$ 7,11.
“O exercício fiscal de 2026 foi um ano de consolidação de bases sólidas, no qual continuamos a ampliar vendas e lucros, ao mesmo tempo em que proporcionamos um forte retorno financeiro aos acionistas, apesar de um ambiente geopolítico e econômico bastante desafiador”, afirmou o CEO Shailesh Jejurikar, citado no comunicado à imprensa.
A desaceleração prevista para o crescimento reflete, segundo a P&G, o aumento dos custos de matérias-primas, energia e transporte, impacto estimado pelo grupo em cerca de US$ 1 bilhão. A inflação voltou a ganhar força nos últimos meses nos Estados Unidos, em meio às tensões persistentes no Oriente Médio, intensificadas após os bombardeios americanos e israelenses contra o Irã.
















