O ácido azelaico [1] é um ativo multifuncional e aliado no tratamento de diferentes condições de pele. “Com propriedades anti-inflamatórias, antimicrobianas, antiqueratinizantes e despigmentantes, ele é capaz de ajudar simultaneamente a controlar inflamação, acne, oleosidade, alterações foliculares e hiperpigmentação”, explica a dermatologista Daniele Balbi, cofundadora da Noviole.

Outra vantagem, segundo a médica, é que o ácido azelaico apresenta um bom perfil de tolerabilidade, se comparado a muitos ingredientes dermatológicos, o que permite sua utilização até por pessoas com peles sensíveis. Porém, até meados deste ano, ele estava restrito a medicamentos dermatológicos no Brasil, não podendo ser aplicado, em nenhuma concentração, em formulações cosméticas.

“A Anvisa, em parecer técnico de 2005, considerava que as características do ativo conferiam a ele uma finalidade terapêutica incompatível com a definição de cosmético vigente naquele momento. Mas houve uma mudança regulatória recente e importante. Em 11 de junho de 2026, a Anvisa publicou a RDC nº 1.030/2026, retirando o ácido azelaico da lista de substâncias proibidas para cosméticos”, afirma Balbi.

Mudança regulatória permite uso do ácido azelaico em concentração de até 10%

Com esta alteração, o ingrediente passou a ser liberado para o uso cosmético no Brasil em concentração máxima de até 10%, o que deve atrair a indústria de skincare no país, segundo a cofundadora da Noviole,

A marca de dermocosméticos lançou em julho o sérum multifuncional Azelabio. Desenvolvido para responder aos principais desafios das peles acneicas, oleosas, com manchas e sensíveis, o produto traz em sua composição a azeloglicina 10%, um derivado do ácido azelaico.

“Nele, a molécula do ácido azelaico é associada a duas moléculas de glicina, um aminoácido naturalmente relacionado aos componentes de hidratação da pele. Isso melhora suas características de formulação, especialmente a solubilidade em água e a tolerabilidade, permitindo incorporar o ativo a produtos cosméticos leves e de uso contínuo”, cita a dermatologista.

Primeiro sérum do Brasil formulado com ácido azelaico 100% estabilizado

Também já está disponível no mercado brasileiro o Azelabio Acne Correction, sérum facial da Ada Tina para peles oleosas, acneicas com manchas e poros visíveis. “É o primeiro sérum do mercado brasileiro formulado com ácido azelaico 100% estabilizado”, afirma o farmacêutico Maurizio Pupo, diretor de P&D da marca.

Ele conta que a Ada Tina foi buscar na Itália o ativo na forma estabilizada, que apresenta maior prazo de validade e baixo potencial de irritação, mesmo na concentração máxima. “A estabilização é possível graças à tecnologia Azelo-K Infusion, que utiliza aminoácidos de fonte natural para proteger a molécula do ácido azelaico contra a instabilidade. Em seguida, um processo de neutralização faz com que o pH do produto se aproxime a sete, eliminando qualquer possibilidade de irritação ou sensibilização. Essa versão pode ser utilizada em todos os tipos de pele, até na área dos olhos.”

A tecnologia, segundo o executivo, também aprimorou a penetração da molécula na pele. “O desenvolvimento levou cerca de cinco anos, envolvendo vários testes de estabilidade, permeação e, finalmente, testes clínicos. Comprovamos que o produto tem inclusive potencial superior ao ácido azelaico puro.”

Pupo ressalta que a liberação do uso do ativo era uma demanda do setor brasileiro de cosmético há décadas. “Agora ele entra na indústria nacional e, à medida em que grandes multinacionais começarem a lançar produtos com ácido azelaico e a população entender melhor do que se trata, com certeza, ele vai se destacar.”