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Edição: Brasil
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Ingredientes e fórmulas

Covid-19 e o futuro do setor de plantas para perfumes

Os efeitos do distanciamento social exigido pela epidemia do Covid-19 atingiram em cheio o setor de perfumes finos, contrariamente ao que aconteceu com produtos perfumados de grande consumo. Cada um desses segmentos utiliza cadeias diferentes para o suprimento de plantas: o setor de luxo emprega vegetais mais nobres, geralmente fornecidos por pequenos produtores, enquanto o setor de grande consumo prioriza extratos naturais mais baratos e produzidos em grande escala, como os de capim-limão e eucalipto. Para Rémi Pulvérail, fundador do Atelier Français des Matières, a situação é particularmente delicada para os pequenos produtores de matérias-primas naturais a partir das quais são fabricados os extratos usados em perfumes finos. Uma das consequências da crise é evidenciar e amplificar a fragilidade de muitas cadeias de produção.

Brazil Beauty News - Qual é a situação atual da produção de insumos nobres para o setor de perfumes?

Rémi Pulvérail - As atividades agrícolas mantiveram o ritmo habitual na maioria dos países, mas os pedidos de extratos naturais para o setor de perfumes de luxo despencaram de uma hora para outra, o que certamente prejudicará muitos produtores que não vão saber o que fazer com a colheita. Para piorar a situação, esses produtores geralmente vivem em países que já enfrentam dificuldades estruturais.

Como consequência, os produtores lançaram um pedido de ajuda aos clientes para os quais eles tradicionalmente fornecem insumos, o que inclui os fabricantes de perfumes finos. Foi o que aconteceu em particular na África, onde ainda não se tem uma visão clara do impacto da pandemia, além de ser um continente em que a escassez de material sanitário é muito preocupante.

De acordo com Rémi Pulvérail, fundador do Atelier Français des Matières, a...

De acordo com Rémi Pulvérail, fundador do Atelier Français des Matières, a situação é particularmente delicada para os pequenos produtores de matérias-primas naturais.

Brazil Beauty News - Isso pode representar um risco para as cadeias de produção?

Rémi Pulvérail - As dificuldades são maiores atualmente, claro, mas elas já existiam antes da pandemia, provocadas, entre outras razões, pelas mudanças climáticas. O que os produtores de insumos naturais estão pedindo é que os compradores não os esqueçam, e que não esqueçam os compromissos assumidos por contrato, o que na verdade vem sendo raramente observado. Basicamente, os compradores têm dois objetivos: reduzir o nível de estoques ao mínimo, com um ritmo de pedidos baseado nas necessidades do momento, e comprar pelo menor preço possível.

Entretanto, a agricultura envolve ciclos longos e inalteráveis, regulados por períodos fixos de colheita a cada ano. É preciso investir para iniciar a lavoura, mas a primeira safra só vem depois de alguns anos. Depois, são necessários mais investimentos para transformar o vegetal em extrato, em seguida para exportar o produto. O pagamento vem por último. Em um cenário de crise, como o que vivemos atualmente, o desequilíbrio fica ainda mais acentuado. O exemplo da crise da baunilha em Madagascar, que já bateu todos os recordes de duração, mostra que os grandes fabricantes de aromas e perfumes são incapazes de restaurar o equilíbrio, embora tenham criado muitos projetos de "abastecimento ético".

Brazil Beauty News - O que o senhor recomendaria?

Rémi Pulvérail - Para essas cadeias de produção, que ocupam um espaço mínimo no panorama agrícola mundial, a única solução seria a implementação de políticas de compra verdadeiramente responsáveis, que incluíssem contratos plurianuais e um sistema eficaz de pré-financiamento. É claro que isso teria um custo, mas esse custo seria consideravelmente inferior ao de uma grande crise.

Além disso, na minha opinião, os países produtores deveriam coordenar melhor as cadeias locais de produção, adotando uma postura mais intervencionista, tanto na questão do volume de produtos como no aspecto do preço. Atualmente, o mercado, por si só, é incapaz de regular e garantir a sustentabilidade dessas cadeias.

Brazil Beauty News - Seria melhor relocalizar a produção para garantir o abastecimento?

Rémi Pulvérail - De jeito nenhum. Se essas plantas destinadas à fabricação de perfumes deixassem de ser cultivadas em alguns países, seria uma catástrofe. A título de exemplo, o Haiti se tornou o principal produtor mundial de essência de vetiver, um produto extremamente valorizado. Essa atividade é a segunda maior fonte de exportações do país atualmente. A cadeia de produção oferece uma renda digna a milhares de famílias haitianas. O mesmo ocorre com a produção de essência de ylang-ylang nas ilhas Comores.

Brazil Beauty News - A química verde poderia ser uma solução para o futuro?

Rémi Pulvérail - Com certeza. Graças a tecnologias de bioconversão, biossíntese ou catálise enzimática, hoje em dia é possível substituir grande parte das moléculas sintéticas produzidas pela química tradicional — ou "suja", para falar a verdade — pelas mesmas moléculas em versão natural. Trata-se de um imenso desafio. Na França, muitas empresas inovadoras já estão usando tecnologias de última geração alinhadas às políticas de preservação ambiental. Um bom exemplo é a AFYREN, empresa francesa que trabalha com fermentação à base de beterraba.

Entrevista concedida a Kristel Milet
(Tradução: Maria Marques)

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