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Edição: Brasil
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Empresas e indústria

"As consumidoras brasileiras são uma fonte de inspiração estratégica para a L’Oréal", afirma Delphine Allard, da L’Oréal Brasil

Inaugurado em 2017, o novo centro de Pesquisa e Inovação da L’Oréal no Brasil se destaca por sua concepção única, que prioriza a sustentabilidade, bem como por sua organização, com ênfase na flexibilidade e na troca de ideias entre profissionais. Situado nas proximidades da Cidade Universitária da UFRJ, o Centro é uma referência para o Grupo e traduz a determinação da L’Oréal de investir no Brasil. Delphine Allard, diretora de Pesquisa e Inovação da L’Oréal Brasil, explica o projeto.

Delphine Allard

Delphine Allard

Brazil Beauty News - Que posição o novo Centro de Inovação ocupa dentro do Grupo L’Oréal?

Delphine Allard - A nova unidade brasileira faz parte da rede internacional de centros de inovação da L’Oréal, que abrange cinco outros hubs espalhados por diversos países: Japão, China, Índia, Estados Unidos e África do Sul. Todas essas unidades trabalham em estreita colaboração com os centros de pesquisa sediados na França.

No ano passado, inauguramos um prédio de última geração na Ilha de Bom Jesus, no Rio, mas o trabalho de pesquisa e inovação já vinha sendo desenvolvido no Brasil desde 2009, em quatro unidades diferentes. O novo prédio permitiu reunirmos todas as equipes em um mesmo local e ganhar mais eficiência.

Brazil Beauty News - Que fatores levaram o Grupo a investir no Brasil?

Delphine Allard - Como quarto maior mercado de beleza do mundo, o Brasil tem uma importância estratégica para o Grupo. Mas uma outra razão que levou a L’Oréal a fazer um investimento desse porte é a diversidade da população. O Brasil é o único país em que podemos encontrar com facilidade os oito tipos de cabelos que compõem a classificação definida pela empresa, abrangendo do mais liso ao mais cacheado. Além disso, das 66 tonalidades de pele identificadas no sistema de classificação da L’Oréal, 55 podem ser encontradas no Brasil. Para nós, o país é uma fonte de inspiração muito rica. Se conseguirmos atender a toda essa diversidade de necessidades presentes no Brasil, conseguiremos atender a praticamente qualquer necessidade presente no planeta.

Isso sem falar na importância da beleza para as mulheres brasileiras, que estão entre as mais exigentes do mundo e as que mais entendem do assunto. Era fundamental estarmos o mais próximo possível dessa fonte de inspiração estratégica, para podermos compreender seus hábitos de beleza e oferecer soluções adaptadas às suas necessidades. No novo centro, dispomos dos recursos, em termos de instalações e equipamentos, para acolher e compreender essas necessidades.

Brazil Beauty News - O trabalho de pesquisa da L’Oréal Brasil apresenta alguma característica específica?

Delphine Allard - O principal objetivo do novo Centro de Pesquisa e Inovação é desenvolver produtos baseados nas necessidades dos consumidores locais, mas com potencial para o mercado global. Em razão do clima, do uso de tratamentos agressivos e da natureza de certos cabelos, a rotina de beleza da mulher brasileira inclui, em média, cinco produtos de cuidados capilares por dia, quando as americanas e europeias utilizam, em média, três produtos. Por isso, nosso foco no Brasil é em grande parte de produtos capilares.

No ano passado, lançamos o Elsève Cicatri Renov, nosso primeiro tratamento leave-in adaptado aos cabelos danificados das brasileiras. Em seguida, esse produto conquistou o mercado americano e, mais recentemente, a Europa, sendo comercializado na categoria de Cica Crèmes. Temos aí um exemplo típico de um produto inovador desenvolvido no Brasil, mas com potencial para lançamento mundial.

Brazil Beauty News - O Centro brasileiro trabalha com outras categorias de produtos?

Delphine Allard - A segunda categoria mais importante são os produtos solares, em particular protetores para o rosto. Os índices altos de radiação UV e o clima úmido que imperam no Brasil nos levam a desenvolver soluções adaptadas a necessidades bem específicas - mais exatamente produtos que ofereçam proteção elevada, longa duração e toque seco, a fim de reduzir o brilho das peles oleosas.

Para atender a essas necessidades, o laboratório elaborou uma solução inspirando-se em uma tecnologia inicialmente destinada aos cuidados da pele e desenvolvida pela rede internacional de Pesquisa L’Oréal: denominada AIRlicium, essa tecnologia tem um poder extremamente alto de absorção da umidade e do sebo da pele. Com base nessa inovação, lançamos a Anthelios AIRlicium, linha de produtos específicos da La Roche Posay que oferece alta proteção, com FPS de até 70. No Brasil, as mulheres podem usar todos os dias produtos com índice de proteção 70. Essa particularidade aumenta ainda mais as exigências em termos de sensorialidade e durabilidade.

Lançada inicialmente nas versões branca e com cor, a linha Anthelios AIRlicium ganhou novos produtos este ano, oferecendo três novas tonalidades para atender à grande diversidade que caracteriza a pele das brasileiras. Graças à linha Anthelios AIRlicium, somos atualmente o líder da categoria de protetores com cor – uma categoria que vem crescendo consideravelmente e hoje representa 45% do mercado de produtos solares.

Devido a suas características específicas, por enquanto esse produto está disponível somente no mercado brasileiro, mas estamos avaliando seu potencial e trabalhando para desenvolver uma versão mais adaptada ao mercado mundial.

Brazil Beauty News - O que faz do Centro de Pesquisa e Inovação da L’Oréal Brasil um modelo do gênero no âmbito da rede L’Oréal?

Delphine Allard - Dispomos das mais modernas instalações, com um laboratório Flex sem equivalentes no Grupo L’Oréal. Sua particularidade é ser segmentado não por categoria, mas por atividade (pesagem, controle, fabricação, etc.). Além de melhorar o fluxo de trabalho e rentabilizar o uso dos equipamentos, essa organização promove a "fertilização cruzada" entre as categorias: um técnico pode estar trabalhando na fórmula de um produto capilar ao lado de outro que está desenvolvendo um protetor solar – e os dois podem trocar ideias sobre texturas, protocolos, etc. Essa organização gera mais oportunidades de diálogo, abrindo um espaço maior para a colaboração e a criatividade. Nesse aspecto, somos um modelo único e uma referência para os outros centros.

Dispomos também de um setor de avaliação exemplar, que oferece toda a infraestrutura necessária para trabalhar em estreita colaboração com as consumidoras, tanto na fase de desenvolvimento e co-criação como no processo de avaliação dos produtos, englobando desde a etapa de protótipo até a validação final.

O conceito de co-criação é realmente interessante. Por exemplo, graças a esse sistema, lançamos no ano passado, com a marca local Niely, uma linha de produtos para cabelos cacheados desenvolvida em colaboração com as consumidoras brasileiras, o Diva de Cachos. Elas participaram de todo o processo, desde o início do projeto até a escolha final do nome.

Brazil Beauty News - O formidável potencial da biodiversidade brasileira também constitui uma fonte de inspiração para a Pesquisa?

Delphine Allard - Paralelamente às atividades de desenvolvimento de produtos, temos um setor denominado Pesquisa Avançada, cujo objetivo principal é descobrir, estudar e valorizar mundialmente os ingredientes da biodiversidade brasileira. No Brasil, temos acesso a ingredientes que atuam como fonte de inspiração para o nosso trabalho e oferecem resultados excepcionais.

Para obter esses ingredientes, trabalhamos com fornecedores locais ou diretamente em parceria com comunidades que fazem parte do programa Sharing Beauty With All. Já começamos a colher os frutos desse programa, desenvolvendo vários projetos baseados em ingredientes eficazes e inspiradores, como camu-camu para a Vichy, murumuru, cupuaçu e pracaxi.

Brazil Beauty News - As mulheres brasileiras preferem cosméticos que contenham ingredientes originários do país?

Delphine Allard - Para elas, o essencial é que sejam ingredientes naturais. Embora esse requisito seja essencial para muitas brasileiras, elas não abrem mão da eficácia e da performance só para ter um produto natural.

Entrevista concedida a Kristel Milet
(Tradução: Maria Marques)

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