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Edição: Brasil
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Empresas e indústria

Granado, fênix do sucesso

Adquirida em 1998 pelo investidor inglês Christopher Freeman e relançada com sucesso em 2004, a tradicional marca de cosméticos mantém, desde então, um crescimento de 20% ao ano. Acumulando 145 anos de história, a Granado conquistou um lugar de destaque no coração dos brasileiros. A seguir, um panorama de sua success story, em companhia de Nazish Munchenbach, diretora de Marketing da marca e uma das principais forças motrizes desse sucesso.

Quando Nazish Munchenbach assumiu as rédeas do setor de Marketing, em 2004, a marca Granado agonizava à beira da falência. Convencida de seu potencial e comovida com o apego que brasileiros de todas as gerações demonstravam para com a marca, Nazish, ao lado de Christopher Freeman, se empenhou, primeiro, em resgatar a imagem da Granado, buscando, no precioso acervo da empresa, sua essência identitária. Para efetuar esse trabalho, ela contou com o apoio de Jérôme Berard, um amigo designer que vivia em Nova York, e com Sissi, filha de Christopher. Uma equipe de oito profissionais trabalhou na remodelagem da identidade visual, um dos principais elementos dessa revitalização, recorrendo a cores e desenhos antigos para restaurar a imagem da empresa e atrair uma nova geração de clientes, sensível ao estilo vintage.

Paralelamente, as linhas de produtos foram ampliadas e ganharam mais estrutura. Christopher Freeman adquiriu também a Phebo, outra marca brasileira com sólida tradição. O próximo passo foi criar uma vitrine para apresentar o novo perfil da Granado e da Phebo. Nazish Munchenbach, nesse meio tempo, se empenhava para resgatar o patrimônio mobiliário da marca, vasculhando e restaurando móveis antigos usados na primeira farmácia da empresa. Repaginados, os móveis, que dormiam em um depósito dos fundos, voltaram a ocupar um lugar de destaque na loja carioca da rua Primeiro de Março, redinamizando a decoração. "No local ainda estavam guardados móveis em fórmica dos anos 1970, cobertos por uma espessa camada de poeira", conta ela. Em 2005, essa loja pioneira foi a primeira de uma longa série: hoje, a Granado / Phebo dispõe de mais de 40 lojas em todo o Brasil, além de um site de comércio eletrônico.

As duas marcas têm o poder de transportar os clientes brasileiros (dos quais 40% são homens) para uma viagem por suas raízes sensoriais, resgatando aromas que remetem à infância e são indissociáveis de sua história. Mas não é só isso: elas oferecem também produtos de excelente qualidade e fragrâncias autênticas, como a lavanda – que, por estar associada com "cheirinho de bebê", é um perfume determinante para o universo olfativo das brasileiras. Os sabonetes são fabricados com extratos vegetais e os produtos, formulados predominantemente com ingredientes naturais, não são testados em animais. "Priorizamos a eficácia e a inocuidade acima de tudo, mas não cultivamos uma obsessão cega pelo uso de insumos naturais", explica Nazish Munchenbach.

Registrando 20% de crescimento ao ano desde 2005, a marca não pretende parar por aí: uma nova fábrica foi inaugurada no estado do Rio de Janeiro, completando a produção da fábrica mais antiga da Phebo, em Belém. Além disso, a marca anuncia um crescimento de 22% no início de 2015. Outra boa notícia é o sucesso inesperado dos produtos no mercado francês.

A conquista da França

Em 1930, quando fundaram a Phebo na capital paraense, os primos Mário e Antônio Santiago desejavam (e conseguiram) criar produtos de alto padrão, fabricados exclusivamente com ingredientes de origem vegetal, que fossem tão bons quanto os das marcas francesas que, na época, dominavam o mercado. "Mais de um século depois, a receptividade demonstrada pelos franceses em relação aos produtos Phebo e Granado traz de volta esse aspecto histórico da empresa. Uma bela recompensa, não?", comemora Nazish Munchenbach.

Na França, diante dos excelentes resultados e do fulgurante sucesso desses produtos vintage e genuinamente brasileiros, a parceria quase exclusiva com a loja Le Bon Marché, em Paris, foi prolongada. Mas, quando a marca tiver encontrado o circuito ideal para vender seus produtos, é bem possível que a parceria se torne ainda menos exclusiva. Para completar, a marca inaugurou, em setembro de 2013, uma filial em Paris, e dispõe atualmente de alguns pontos de venda em outras regiões da França.

"Cultivamos relações de proximidade com nossos parceiros na França. Para nós, isso é muito importante, pois fazemos questão de manter nossa identidade brasileira. A França vê o Brasil com grande simpatia", conclui Nazish Munchenbach.

Kristel Milet (Tradução: Maria Marques)

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