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Edição: Brasil
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Mercados e tendências

Cosméticos veganos ganham popularidade com respeito aos animais e ao meio-ambiente

Apesar de representarem um nicho crescente no mercado, produtos e formulações ainda carecem de regulamentação em todo o mundo.

Isentos de ingredientes e subprodutos de origem animal e livres de testes em animais, os cosméticos veganos têm conquistado consumidores engajados com a causa “cruelty free” e preocupados com o meio-ambiente.

Ainda que essa indústria seja relativamente pequena, é um nicho crescente”, revela Amarjit Sahota, presidente do instituto londrino de pesquisa sustentável Organic Monitor. A gigante francesa de cosméticos L’Oréal, por exemplo, já conta com produtos que dizem ser 100% veganos nas linhas EverStyle e EverCrème de tratamento para os cabelos. “Muitas marcas de cosméticos naturais e orgânicos estão adotando o selo Vegan Trademark, da organização britânica Vegan Society, porque querem ser atrativas para consumidores que evitam ingredientes animais por razões religiosas, éticas ou de saúde”, ele explica.

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Xampu e condicionador nutritivos EverCrème, 100% vegan, segundo a L’Oréal

Segundo Sahota, a Vegan Society é um dos poucos órgãos que certificam os produtos veganos, já que ainda falta regulamentação nesse mercado. Por isso, ele não descarta a possibilidade do consumidor encontrar falsos cosméticos veganos nas prateleiras. A leitura dos rótulos e o entendimento dos termos é fundamental para confirmar se o veganismo está presente de fato.

A classificação de vegano deve-se única e exclusivamente ao fato do produto não utilizar animais em toda a cadeia produtiva, e isso vai desde o início do processo de desenvolvimento até a chegada ao mercado”, afirma Cândice Felippi, diretora da fabricante de matéria-prima Inventiva.

Especializada no desenvolvimento de ativos a partir da nanotecnologia, a empresa, sediada em Porto Alegre (RS), buscou trabalhar somente com matérias-primas que não tivessem origem animal desde sua fundação, em 2008. “Para comprovar a segurança e a eficácia dos ativos desenvolvidos, fazemos somente testes in vitro ou em humanos”, completa Felippi.

Um dos carros-chefes dos ativos veganos é a linha LV, para cuidados com a pele e com os cabelos. Ela inclui o Nutrinvent Balance (associação de óleo de semente de abóbora, óleo de melaleuca e óleo de alecrim); o Nutrinvent Hair (hidrolisados de proteínas de soja, trigo e aveia com licopeno); o Nutrinvent Ômega Oil (Ômegas 3, 6 e 9 extraídos dos óleos de sacha inchi, noz pecã e linhaça em microemulsão) e o Nutrinvent Ômega (Ômegas 3, 6 e 9 extraídos dos óleos de sacha inchi, noz pecã e linhaça em Inventsferas®).

As nanopartículas da LV contêm somente matérias-primas orgânicas ou naturais. A ideia da linha verde é fazer um mix de orgânico, vegano e natural”, conta Felippi. Segundo ela, os maiores desafios na produção de uma nanopartícula verde são o preço e a escolha do conservante. As matérias-primas verdes geralmente têm um custo mais elevado, que consequentemente se reflete no preço da nanopartícula. Além disso, há poucas opções de conservantes verdes disponíveis no mercado.

De acordo com Felippi, quem busca um cosmético que alie o componente vegano ao natural ou orgânico deve estar atento a ambas as classificações nas embalagens, já que o produto vegano pode ter em sua fórmula conservantes químicos, parabenos e outros ingredientes considerados alergênicos.

Felippi afirma que não existem muitas dificuldades para o desenvolvimento de um cosmético vegano, mas a diferença de valores pode ser grande. “Como o fator preço é decisivo para a maioria das empresas na hora da compra, nossos pesquisadores sempre procuram fazer um estudo aprofundado para escolher matérias-primas com um bom custo-benefício e, assim, viabilizar o uso de ativos verdes em nossas formulações”.

Amanda Veloso

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