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Edição: Brasil
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Mercados e tendências

Vendas de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos no Brasil caem 8% em 2015

O país também perdeu representatividade no ranking global de consumo, passando da terceira para a quarta posição; categorias como protetores solares, desodorantes e perfumes deixaram a liderança mundial.

João Carlos Basilio, presidente da ABIHPEC

João Carlos Basilio, presidente da ABIHPEC

Após apresentar queda de 5% nas vendas do primeiro semestre de 2015, a primeira retração nos últimos 23 anos, o setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos fechou o ano com queda real de 8% e faturamento líquido de R$ 42,6 bilhões.

Segundo a ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), os aumentos de carga tributária, a alta do dólar e a atual crise política e econômica levaram o país a perder posições no ranking global de consumo. O Brasil foi ultrapassado pelo Japão e voltou a ser o quarto maior mercado do mundo, além de perder a liderança em categorias como protetores solares, desodorantes e perfumes.

Acréscimo de taxas e tributos

O presidente da ABIHPEC, João Carlos Basilio, afirma que o desempenho negativo do setor está diretamente associado ao acréscimo de taxas e tributos aplicado pelo governo visando o aumento de recursos aos cofres públicos. “Num efeito contrário ao pretendido, essas medidas derrubaram as vendas e, por consequência, reduziram as curvas de arrecadação”, ele explica. Segundo Basilio, a crise hídrica também teve um grande impacto na performance de algumas categorias, como a de produtos para banho, que caiu do segundo para o quarto lugar no mercado mundial. “Esse panorama contribuiu diretamente para a mudança dos hábitos de consumo e de higiene pessoal do brasileiro que, consequentemente, reduziu o tempo e a quantidade de banhos”.

Além da queda nas vendas, a indústria registrou também declínio na geração de empregos. Após um primeiro semestre estável, as oportunidades de trabalho direto fecharam o ano com redução de 3,3% em relação a 2014.

Itens essenciais para a manutenção da saúde e do bem-estar do consumidor sofreram com o aumento dos tributos em boa parte dos estados brasileiros, o que refletiu diretamente nos preços. “No Paraná, por exemplo, houve um aumento de 108% na carga tributária de protetores solares. Em Minas Gerais, a alta foi de 125% para cremes dentais e 50% para itens básicos, como sabonete e papel higiênico. Estes aumentos abruptos devem impactar negativamente o resultado do setor de HPPC novamente este ano”, comenta Basilio.

Outra possível consequência do aumento dos tributos, aliada à alta do desemprego e à redução do poder de compra do brasileiro, é o crescimento da informalidade e da procura por artigos pirateados e contrabandeados. “É de extrema importância que o consumidor não adquira produtos irregulares. O setor de HPPC no Brasil, que é regulado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é comprometido com a manutenção da saúde e bem-estar da população. Por isso, o alerta é para que, mesmo em cenários desfavoráveis, o consumidor não utilize artigos que podem ser prejudiciais à sua saúde”, afirma Basilio.

Investimento em inovação

A ABIHPEC acredita que investimento em inovação é um dos caminhos para que o setor possa voltar a ganhar fôlego, competitividade e mercado. “O momento é de agir e buscar a inovação de forma ampla, com foco em gestão, logística, serviços, comunicação e até mesmo na comercialização dos produtos. É hora de rever as estratégias e o trabalho em equipe é fundamental para manter a vitalidade e a força das empresas frente ao mercado, especialmente neste momento delicado da economia brasileira”. Passado o período mais crítico da crise hídrica, a ABIHPEC estima que os hábitos de consumo, em especial os relacionados ao banho, voltem ao normal e esses produtos retomem o bom desempenho tradicional da categoria.

Fernanda Bonifacio

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