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Mercados e tendências

"Precisamos de mais P&D especificamente voltada para peles escuras", Aïmara Coupet

A evolução no setor é incontestável: a comunicação das marcas fala abertamente de diversidade, a oferta de produtos de maquiagem, cada vez mais completa, atende às mais diversas tonalidades de pele, e não falta empenho e determinação por parte da indústria de beleza. Apesar de todo esse avanço, ainda há muito trabalho pela frente para oferecer produtos realmente adaptados às peles mulatas e negras. Esse é o ponto de vista de Aïmara Coupet, consultora em Marketing e Desenvolvimento de Produtos, e especialista em peles escuras. Premium Beauty News conversou com ela.

Aïmara Coupet

Aïmara Coupet

Brazil Beauty News - Por que a atual oferta de produtos de maquiagem ainda não satisfaz plenamente às expectativas do público feminino?

Aïmara Coupet - Não se pode negar que existe atualmente um real empenho no sentido de abertura a todos os tipos de público. O mercado evoluiu muito em relação às peles mais escuras. Se compararmos com a situação de uns 20 anos atrás, hoje temos muito mais tonalidades disponíveis. Mas, se quisermos realmente oferecer produtos de maquiagem adequados a peles mulatas ou negras, precisamos dar um passo a mais, inovar. Não basta simplesmente adicionar novas tonalidades. As equipes de Pesquisa e Desenvolvimento dos laboratórios raramente estudam as peles escuras, que têm características específicas e são bem diferentes da pele caucasiana. Ainda sabemos muito pouco sobre esse tipo de pele. A título de exemplo, a oferta de ativos específicos para peles com fototipos 5 ou 6 é muito reduzida. Aliás, se dermos uma olhada na segmentação de produtos para cuidados da pele, veremos que metade desse mercado é representado por produtos antirrugas que em nada correspondem às necessidades das peles escuras.

Brazil Beauty News - E quais são as características específicas das peles escuras?

Aïmara Coupet - Vários elementos as diferenciam, mas os principais são a hiperpigmentação e a discromia, ou seja, uma variação no grau de pigmentação de diferentes partes do corpo ou do rosto: há uma falta de homogeneidade – algumas zonas são mais escuras, outras são mais claras. Constatamos também diferenças no processo de cicatrização, que tende a deixar manchas. Por fim, as peles escuras são geralmente mistas ou oleosas, o que não significa que sejam bem hidratadas, muito pelo contrário. O desequilíbrio entre a produção de sebo e a desidratação é um fator importante, que precisa ser levado em conta. As peles escuras desidratadas geralmente têm uma aparência apagada, sem viço. Esses fatores têm uma influência direta no resultado da maquiagem. Vale também ressaltar que esse tipo de pele tem muitos pontos positivos: é mais resistente, mais firme, menos sujeito a rugas e ao fotoenvelhecimento e apresenta menos riscos de desenvolver câncer. Essa é uma das razões pela qual recomendo não adicionar um FPS à base facial, principalmente se ele prejudicar a luminosidade do rosto, deixando-o opaco e sem brilho. Se necessário, o FPS pode ser substituído por um protetor solar. Para mim, quando o assunto é maquiagem, a prioridade é o resultado: uma base, acima de tudo, deve conferir à pele uma bela tonalidade. Outro elemento que deve ser levado em consideração são as diferenças fisiológicas. Os lábios, por exemplo, são mais carnudos, geralmente têm duas tonalidades e às vezes apresentam uma textura bem marcada. Esses fatores são importantes na hora desenvolver novos batons.

Brazil Beauty News - Qual a melhor maneira de ampliar uma linha de produtos de forma a oferecer um leque completo de tonalidades?

Aïmara Coupet - A primeira pergunta que se deve fazer é: "esta fórmula é realmente capaz de conferir uma bela tonalidade às peles escuras?" Algumas texturas são oleosas demais, ou excessivamente brilhantes, prejudicando o resultado da maquiagem nas peles mais escuras. Outras fórmulas não permitem o uso de uma quantidade suficiente de pigmentos. O problema é que, para obter uma tonalidade mais escura, não basta aumentar a quantidade de pigmentos negros, é preciso também alterar os outros ingredientes. Além disso, nas peles escuras, o efeito final de certos pigmentos pode não ser o esperado. Por exemplo, alguns marrons às vezes viram rosa, um amarelo pode conferir um aspecto cinza ou esverdeado. Portanto, é extremamente importante fazer uma seleção criteriosa dos pigmentos usados em função do tipo de fórmula. O que tenho observado é que os ingredientes mais adequados já existem, mas, por enquanto, não foram formalmente identificados com vistas à aplicação em peles negras. Ainda estamos na fase de aprendizado, de erros e acertos.

Brazil Beauty News - Que conselho a senhora daria às marcas que desejam melhorar suas ofertas?

Aïmara Coupet - No segmento de maquiagem, é preciso, acima de tudo, pensar no resultado, ou seja, focar mais na maquiagem propriamente dita e menos no marketing. As marcas precisam mudar de perspectiva. Em vez de ficar fazendo um copiar/colar a partir de fórmulas desenvolvidas para peles caucasianas, elas deveriam intensificar as pesquisas especificamente voltadas para peles escuras. Por que não dar uma guinada de 180°? Por que uma inovação voltada para peles escuras não poderia ser adaptada às peles mais claras? Precisamos raciocinar na contramão do que se faz atualmente. A indústria tem a responsabilidade de oferecer produtos para peles mestiças, que futuramente representarão a maioria dos consumidores.

Entrevista concedida a Kristel Milet
(Tradução: Maria Marques)

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