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Inovação e novidades

"Matérias-primas e ideias são os dois caminhos que levam à inovação no setor de perfumes", afirma Maurice Roucel, da Symrise

O mundo dos perfumes deve a ele uma impressionante coleção de obras-primas olfativas, criadas tanto para grandes Maisons tradicionais como para marcas de perfumes alternativos. Maurice Roucel, perfumista da Symrise, começou sua carreira em 1973 e hoje é um dos maiores criadores olfativos contemporâneos, premiado inúmeras vezes pela indústria. O site Premium Beauty News convidou esse grande especialista a compartilhar sua visão sobre a profissão, o mercado e a inovação.

Maurice Roucel, Symrise

Maurice Roucel, Symrise

Brazil Beauty News - Como o senhor define a profissão de perfumista?

Maurice Roucel - Idealizar um perfume é um ato de criação. Da mesma forma que um pintor mistura cores e um músico associa notas, nós combinamos odores. Esse ato produz uma obra que resulta da capacidade criativa de cada um, de inspiração e de uma certa dose de técnica. Como em muitas outras áreas, é necessário aprender a técnica, mas a criatividade é algo que não pode ser ensinado: ou a gente tem ou a gente não tem.

Brazil Beauty News - Houve mudanças na profissão nos últimos anos, em particular do ponto de vista técnico?

Maurice Roucel - É uma profissão que está em constante evolução. De maneira geral, cada nova matéria-prima, seja sintética ou natural, pode gerar uma nova forma de criação. Tecnicamente, dispomos de um número crescente de moléculas sintéticas que oferecem a chave para novas fragrâncias.

A profissão de perfumista acompanhou também a evolução dos comportamentos sociais. Por exemplo, os perfumes masculinos, que no passado tinham predominantemente notas amadeiradas, hoje estão muito mais livres, com notas gourmet e até frutadas. A tendência é cada vez mais oferecer um estilo sem gênero definido, inclusive para perfumes femininos. O que hoje convém perfeitamente a uma época e a um país, daqui a 30 anos talvez já não convenha a esse país ou até a um continente inteiro. As transformações sociais se refletem na indústria de perfumes. Nada permanece cristalizado para sempre.

Brazil Beauty News - De que forma a inovação se manifesta no setor de perfumaria atualmente?

Maurice Roucel - Existem duas maneiras de inovar: com ideias e com as matérias-primas que tornarão possível expressar essas ideias. Historicamente, a França nunca foi muito fã de notas frutadas e gourmet. Mas eis que um dia uma conhecida marca lançou o perfume Angel, que trouxe uma nova molécula e revolucionou o mercado. Isso é o que se chama inovação. Ao mesmo tempo, as pessoas estão mais receptivas a novidades e os perfumistas podem se expressar com mais liberdade, principalmente no segmento de nicho.

Brazil Beauty News - É por isso que os perfumes de nicho estão fazendo sucesso, enquanto o setor de perfumes tradicionais vem perdendo fôlego?

Maurice Roucel - Para explicar a desaceleração desse mercado, é preciso, antes de mais nada, observar o número de lançamentos anuais. Quando comecei minha carreira, em 1973, tínhamos 20 novos perfumes por ano. Hoje, são lançados 1.700 a 2.000 perfumes a cada ano – alguns muito bons, outros nem tanto. Não podemos deixar de constatar que os perfumes se democratizaram, todas as grandes marcas desceram para as ruas com uma grande variedade de perfumes. Esses produtos não são necessariamente ruins, geralmente as matérias-primas são de boa qualidade, mas o traço criativo já não é mais o mesmo.

O mais paradoxal é que os grandes grupos compram as marcas de nicho por preços astronômicos, mesmo ganhando dezenas de milhões com suas próprias marcas. Tenho a impressão de que essas grandes empresas não conseguem desenvolver o talento criativo e, por isso, se interessam pelas marcas alternativas.

Brazil Beauty News - Para que tipo de fabricante de perfumes o senhor prefere trabalhar?

Maurice Roucel - Minha preferência sempre será trabalhar com profissionais da criação que tenham a inspiração correndo nas veias. É como numa partida de tênis – o prazer é muito maior quando o adversário sabe devolver a bola. O ato de criação no setor de perfumes é uma troca. Para os perfumistas, é muito mais interessante trabalhar com pessoas que tenham essa liberdade. Isso não é uma particularidade do segmento de perfumes de nicho. Na época em que eu trabalhava com Sylvaine Delacourte para a Guerlain, era assim que as coisas funcionavam.

Brazil Beauty News - O senhor trabalhou vários anos no Brasil para a Symrise. É um país interessante em termos de matérias-primas para o setor de perfumes?

Maurice Roucel - O Brasil é um país em evolução, com potencial imenso, mas que ainda não se afirmou como um grande produtor de ingredientes para perfumes. Embora seja um país com muitas frutas, as plantas perfumadas são bem mais raras.

Brazil Beauty News - Como é a relação dos brasileiros com os perfumes?

Maurice Roucel - O Brasil é o maior consumidor de perfumes do mundo, tanto em termos de volume como de valores. É um povo latino, que gosta de se perfumar. Para eles é um gesto natural. Os brasileiros adoram os perfumes fortes, envolventes, que deixam um rastro marcante e permanecem na pele por muito tempo. Os brasileiros gostam das fragrâncias que marcam presença.

Entrevista concedida a Kristel Milet
(Tradução: Maria Marques)

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