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Edição: Brasil
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Ambiente

L’Oréal de mãos dadas com fornecedores no âmbito de seu programa de desenvolvimento sustentável

No final de 2013, o Grupo L’Oréal apresentou os compromissos da empresa em matéria de desenvolvimento sustentável, com a divulgação do plano "Sharing beauty with all", programa que objetiva reduzir o impacto ambiental de suas atividades, garantindo ao mesmo tempo a concretização dos projetos de crescimento. Laurent Gilbert, diretor de Desenvolvimento Internacional de Pesquisas Avançadas da L’Oréal, coordena as ações do Grupo relacionadas com inovação sustentável. Em entrevista à Brazil Beauty News, ele analisa os detalhes desse ambicioso plano e suas consequências para os fornecedores.

Laurent Gilbert, L'Oréal

Laurent Gilbert, L’Oréal

Brazil Beauty News - Quais são as bases dessa política inédita de responsabilidade social e ambiental?

Laurent Gilbert - O objetivo do programa, que recebeu o nome de "Sharing beauty with all", é posicionar o consumidor como alicerce central de nossa política em matéria de desenvolvimento sustentável e oferecer a ele ferramentas para que possa fazer escolhas responsáveis. Queremos que para o consumidor essa questão seja algo de concreto e fácil de entender. Nosso compromisso é colocar à disposição do público informações sobre as características sociais e ambientais de nossos produtos. Nesse sentido, vamos trabalhar com as marcas para que assimilem a questão da responsabilidade corporativa e abram o diálogo com os clientes. Desejamos também trabalhar ao longo de toda a cadeia de valor, desde a produção até a comercialização, tendo como ponto de partida as inovações que o Grupo trouxe para o mercado. O último aspecto extremamente importante é que tudo isso será desenvolvido sem perder de vista o objetivo do Grupo de conquistar um bilhão de consumidores até 2020. É fundamental que essa nova abordagem ofereça benefícios para nossos colaboradores e fornecedores, bem como para as comunidades mais carentes.

Brazil Beauty News - Segundo as previsões da empresa, até 2020 todos os fornecedores estratégicos serão parte integrante do programa de desenvolvimento sustentável da L’Oréal. Que consequências isso terá para o abastecimento?

Laurent Gilbert – Trabalhamos com centenas de fornecedores das mais diversas regiões do planeta e mantemos com todos excelentes relações. Eles foram selecionados com base em sua capacidade de inovar e de atender às nossas necessidades, além de uma série de outros critérios, entre os quais a criticalidade dos ingredientes que fornecem.

Os compromissos que hoje estamos assumindo são o resultado de um trabalho que vem sendo desenvolvido já há alguns anos na L’Oréal em colaboração com os fornecedores. Se tomarmos como exemplo o fornecimento de matérias-primas de fontes renováveis, desde 2005 a L’Oréal se comprometeu a promover o reaproveitamento das matérias-primas que utiliza, como previsto na Convenção sobre Diversidade Biológica, e a eliminar do catálogo produtos cujo perfil ambiental não esteja à altura. Como consequência, uma série de ações foram implementadas para termos a garantia de que nossos parceiros respeitam esses princípios. Todos os fornecedores estão cientes do tipo de informação que desejamos obter acerca do perfil ambiental das matérias-primas adquiridas.

A mesma política é aplicada aos fornecedores de fragrâncias ou embalagens, que também devem respeitar exigências relativas à composição das matérias-primas.

Brazil Beauty News - De que forma isso será organizado?

Laurent Gilbert - Como é difícil abordar tudo ao mesmo tempo, vamos proceder segundo dois tipos de prioridades. A primeira é o critério do volume: começamos pelos principais fornecedores em termos de volume de produto ou de faturamento. A outra prioridade são as matérias-primas e as questões ligadas ao abastecimento.

Brazil Beauty News - Isso significa que a L’Oréal deixará de trabalhar com certos fornecedores?

Laurent Gilbert - Essa não é a nossa política. Preferimos trabalhar com nossos fornecedores e fazer com que compreendam nosso desejo de ajudá-los a adotar essas práticas. Naturalmente, se nossos esforços não derem resultado, é possível que sejamos obrigados a tomar certas decisões, mas não é esse nosso objetivo.

Brazil Beauty News - A L’Oréal dará suporte a esses fornecedores?

Laurent Gilbert - Sim, estamos realmente dispostos a compartilhar nossas ferramentas com fornecedores que não tenham o porte necessário para dispor de ferramentas próprias. As ferramentas didáticas, em particular, são importantes para que possamos compartilhar as mesmas noções de base. A questão do vocabulário é fundamental, pois precisamos garantir que, por trás das palavras, as definições são as mesmas. Por exemplo, quando falamos de matérias-primas de fontes renováveis ou de desenvolvimento sustentável, precisamos saber que todos compreendem a mesma ideia, inclusive no plano internacional. Outro aspecto são as ferramentas usadas para efetuar auditorias ou avaliar uma cadeia produtiva. É esse tipo de suporte que desejamos oferecer.

Brazil Beauty News - O Grupo fixou como objetivo o "desmatamento zero", garantindo que nenhum de seus produtos estaria associado ao desmatamento até 2020. No final de 2012, todo o abastecimento da L’Oréal em óleo de palma já se enquadrava nas normas e nos procedimentos da certificação RSPO (Roundtable on Sustainable Palm Oil). O que ainda resta a fazer?

Laurent Gilbert - A mesa-redonda que objetiva promover o abastecimento sustentável de óleo de palma propõe diversos modelos, que são selecionados em função da complexidade da cadeia de suprimento. Na L’Oréal, adotamos um dos modelos mais exigentes, o SG (Segregated), que requer o rastreamento total, desde o moinho que produz o óleo de palma até a chegada do produto a nossas fábricas. Assim, temos a garantia de que nosso abastecimento é gerenciado em conformidade com os princípios de desenvolvimento sustentável da RSPO.

Quanto aos derivados, as cadeias de abastecimento são extremamente complexas, dificultando esse rastreamento completo. Porém, para sermos coerentes com o compromisso que assumimos, fazemos questão de garantir esse procedimento, mesmo para os derivados. Vamos trabalhar com os fornecedores mais inovadores para buscar soluções – e essa é a razão pela qual fixamos o prazo de 2020. Precisamos de tempo, porque ainda há muito o que fazer com todos os protagonistas da cadeia produtiva.

Brazil Beauty News - Na sua opinião, o consumidor está conscientizado sobre essas questões e saberá apreciar o compromisso da L’Oréal?

Laurent Gilbert - Nossos consumidores estão perfeitamente informados e aguardam providências por parte da empresa. Todos os anos patrocinamos o barômetro de biodiversidade da UEBT (Union for Ethical Bio Trade), que mede as expectativas dos consumidores e o nível de compreensão que eles têm sobre essas questões. Constatamos que na China, por exemplo, cerca de 94% das pessoas se interessam pela biodiversidade e 69% têm um bom nível de compreensão; portanto, é uma população muito bem informada. Podemos dizer a mesma coisa do Brasil. Os consumidores estão perfeitamente conscientes desses problemas; o que falta são ferramentas que os ajudem a fazer escolhas responsáveis.

Nosso objetivo é dar a eles acesso a esse tipo de informação. À medida que o programa for avançando, vamos desenvolver canais de diálogo com o público. As marcas devem assimilar plenamente essa questão e sintonizá-la com seus produtos e sua identidade, a fim de sensibilizar os clientes. É fundamental que não haja interferências nessa mensagem: todo mundo deve contribuir e estamos trabalhando juntos para definir os próximos passos. Até 2020, as coisas estarão bem mais claras para o consumidor.

Brazil Beauty News - Todo o programa estará finalizado em 2020?

Laurent Gilbert - Criamos um painel de Critical Friends para contar com um olhar externo que acompanhará nossa evolução. A intervalos regulares, faremos um balanço do trabalho. Vamos também divulgar informações em nossos relatórios de desenvolvimento sustentável e a cada vez que surgir uma ocasião. Não sei se tudo estará finalizado em 2020, mas todas as equipes estão mobilizadas nesse sentido e o cronograma de ações está completo para os próximos anos.

Entrevista concedida a Kristel Milet

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